Oposição do Atlético-PR convoca assembleia de sócios contra medidas da atual diretoria rubro-negra

Foto: Reprodução Facebook "Atlético de novo"
Foto: Reprodução Facebook "Atlético de novo"

A chapa de oposição “Atlético de novo”, que perdeu a última eleição para o grupo de Luiz Sallim Emed e Mario Celso Petraglia, está convocando os sócios para uma assembleia geral contra as ações da atual diretoria rubro-negra. O objetivo do grupo, formado por 27 pessoas que dizem querer “devolver o Atlético-PR para o povo” é que, em assembleia geral, os sócios do clube exerçam seu direito a opinião e voto para revisar algumas das recentes decisões da diretoria do clube, como a elevação do preço dos ingressos e as restrições de acesso aos sócios através da biometria. A festa da torcida paranista na última terça-feira (3), na Arena da Baixada, teria sido a “gota d’água” para a mobilização. Três pontos para coletas de assinaturas foram distribuídos por Curitiba.

A convocação foi feita por meio da página oficial da oposição no Facebook. No início da tarde desta quinta-feira (5), quase três mil pessoas haviam curtido o post. O grupo elencou sete pontos que motivam a insatisfação: valores exorbitantes dos ingressos, aluguel do estádio em dias de jogos do Atlético, cor cinza da Arena da Baixada, biometria, proibição das organizadas, conselho de ética do clube e, por fim, transparência em relação as dívidas do Furacão após a Copa do Mundo de 2014.

“Isso é fruto de conversas e discussões em diversos grupos de atleticanos que mostram a insatisfação de parcela considerável, não só dos sócios, mas da torcida como um todo, que não concordam com várias posturas que a diretoria tem adotado em relação a plano de sócios, valor de ingressos, conselho de ética e outros pontos que nós elencamos. Foi conversado com diversos setores da torcida e chegamos a conclusão que é momento de se convocar essa assembleia geral de sócios para tentar buscar a reversão dessas medidas”, explicou o advogado Fernando Munhoz, um dos membros do grupo que encabeça a iniciativa.

Segundo Fernando, a assembleia é amparada pelo Estatuto do Clube Atlético Paranaense, no art. 44, inc. III, com esteio no art. 46, ‘c’. Para tirar o projeto do papel, é necessário 1/5 (um quinto) dos sócios. Até a implantação da biometria, o rubro-negro tinha cerca de 20 mil sócios, o que indicava a necessidade de 4 mil assinaturas para a convocação de assembleia. A oposição trabalha com a demanda de 3 mil assinaturas, estimando que o número de sócios tenha caído para 15 mil com as desistências por conta da biometria e do aumento do valor no setor Fun. O Atlético não informa o número exato de sócios adimplentes no momento.

“Após as assinaturas, é convocada e marcada essa assembleia para discutir e votar os pontos elencados. O estatuto prevê que a decisão da assembleia de sócios é soberana”, ressaltou Fernando.

O advogado ainda acrescenta que a adesão tem sido grande, porque a insatisfação vem de longa data. “A mobilização tem sido muito grande e a resposta positiva. É um anseio de parte majoritária da torcida, que se encontra indignada com as ações da diretoria”, disse.

 

Festa paranista foi o estopim 

Na última terça-feira (3), a Arena da Baixada ficou lotada no jogo entre Paraná Clube e Internacional, válido pela Série B do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, os paranistas conseguiram reunir 39.414 pessoas no estádio e quebrar o recorde de público do local.

O maior público em um jogo do Atlético-PR na Arena da Baixada foi registrado no empate sem gols com o Flamengo, na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, quando 38.020 torcedores estiveram presentes. O recorde geral era de 39.375 pessoas, na vitória da Espanha em cima da Austrália, por 3 a 0, pela fase de grupos da Copa do Mundo de 2014.

De acordo com Fernando, a festa tricolor foi o estopim para lançar a campanha pela assembleia geral.

“Isso já vinha sido pensado há muito tempo, mas acredito que o sentimento do torcedor atleticano naquele dia foi de revolta, de ver uma torcida adversária fazendo festa, lotando o estádio. Algo que hoje a torcida do Atlético não consegue, porque a diretoria não permite, com essas várias sanções que ela aplica em relação a nossa torcida, de fato foi, digamos assim, a gota d’água”, finalizou.

 

Pontos de coleta de assinaturas

São três pontos de coleta de assinaturas em Curitiba. O processo só pode ser legitimado por meio de assinatura física, por isso a necessidade do sócio interessado se dirigir até um desses locais.

A pessoa que aderir ao movimento deve assinar a lista conforme o seu número de cadeira. Se tiver uma, assina uma vez. Se possuir duas ou mais, assina de acordo com a quantidade.

– Arena Bar – Rua Brigadeiro Franco (nº 3003), no bairro Água Verde. De segunda a sexta, das 11h30 às 14h30; de terça a sexta, das 18h às 23h30; e aos sábados, das 12h às 23h.

– Torcida Os Fanáticos – Rua Doutor Pedro Augusto Mena Barreto Monclaro (nº 571), no bairro Água Verde. De terça a sábado, das 13h às 18h.

– Kamyzas Bar – Rua Brasílio Itibere (nº 3333), no bairro Água Verde.

Confira a convocação na íntegra:

Para o Atlético voltar a ser do povo

O processo eleitoral de 2015 demonstrou a força da torcida do Atlético Paranaense. Revelou um enorme índice de insatisfação com a política do Clube. Foram meses e meses de preparação e debates visando a construção de alternativas para o cenário já conhecido da imutável (e fracassada) fórmula administrativa. Independentemente do resultado, tornou-se público o descontentamento de milhares de sócios atleticanos, representantes da torcida, com a sistemática implementada pelo Clube.

Em outras palavras, o resultado das eleições evidenciou a existência de um Clube fragmentado. Se a atual direção conseguiu reunir sócios suficientes para se manter na instituição, viu quase metade de seus contribuintes desagradados. Isso tudo sem falar no desagrado da esmagadora maioria dos atleticanos; aqueles que não possuem direito a voto e que se sentem cada vez mais excluídos pela política enraizada no Clube. A direção do Atlético Paranaense não é unanimidade.  Há uma permanente insatisfação da torcida, e isto se reflete a cada partida realizada. As vitórias acalentam nosso sofrimento, tornam temporariamente adormecido o dissabor, mas de modo algum são aptas a eliminar a permanente frustração pela qual todos passamos já há tanto tempo.

As medidas de desprestígio e desestímulo cada vez mais recorrentemente adotadas são a marca registrada dessa gestão. O desrespeito pelo torcedor é incompreensível! E o já conhecido descaso com o futebol, atividade que deveria ser o fim último do Atlético Paranaense, revela-se cada vez mais evidente.

A falta de entusiasmo que as irresponsáveis medidas da direção geram na torcida e os prejuízos daí decorrentes para o próprio Clube são inadmissíveis. Há circunstâncias que precisam ser imediatamente revistas, para o bem do Atlético que todos nós conhecemos.

Diante de todos esses fatores, da ausência de perspectiva de qualquer mudança, e da permanente obscuridade na condução dos trabalhos por essa gestão, o Movimento Atlético de Novo resolveu dar início ao processo de convocação de uma Assembleia Geral de Sócios, alternativa prevista no Estatuto do Clube Atlético Paranaense (art. 44, inc. III). Com esteio no art. 46, ‘c’, do referido regramento, pretende-se a convocação do quadro associativo para deliberar a respeito da seguinte pauta:

1 – Afastamento da torcida e consequente elitização do clube. A Arena da Baixada apresenta uma média de ocupação de apenas 37% nos jogos do Campeonato Brasileiro, sem qualquer perspectiva de prospectar torcedores mediante a venda de ingressos a preços mais acessíveis para setores abandonados. Assim, propor-se-á a retomada do plano de sócios mais popular, com valores de até R$100,00, e carga proporcional de ingressos acessível de até R$50,00 – no mínimo, para o setor Buenos Aires Inferior;

2 – Falta de planejamento e foco em futebol. O clube abriu mão de jogar em seu estádio o jogo mais importante do ano para sediar um torneio de voleibol, e semanas depois foi eliminado da Taça Libertadores da América. Considerando a natureza do Atlético Paranaense e sua construção obrigatória em torno do futebol (art. 2º, par. único, do Estatuto), propor-se-á que se delibere pelo impedimento definitivo da realização de qualquer evento no Estádio Joaquim Américo (“Arena da Baixada” ou “Estádio Atlético Paranaense”) em data que conflite com jogos em que o Atlético Paranaense figure como mandante, assegurada a inserção de cláusula nesses termos em eventuais contratos para shows e quaisquer outros eventos recreativos ou esportivos a serem firmados pelo Clube em data ainda sem previsibilidade de jogos;

3 – O estádio Joaquim Américo cinza fere a alma e a história do Atlético Paranaense, além de não ajudar no marketing do próprio clube. Diante disso, propor-se-á a realização de adequação do Estádio para as cores do clube de todas as formas possíveis, incluindo cadeiras e toda sua estrutura;

4 – A biometria foi implantada a pretexto de conferir segurança aos sócios, mas o modo de sua concepção revelou se tratar de mais um instrumento de desestímulo aos associados: o Clube compromete a própria receita ao limitar o repasse de cadeiras para terceiros, e não incentiva novas adesões. Propor-se-á que os sócios possam dispor livremente de seus assentos, afastando-se toda e qualquer limitação, impondo-se como condição para acesso ao Estádio que o torcedor esteja cadastrado no sistema biométrico do Clube – o que poderá ser feito por qualquer cidadão, sócio ou não, até momentos antes da partida, e que esteja munido de um smartcard ou ingresso avulso;

5 – A festa da torcida na Arena da Baixada acabou. O “fator casa” já não existe mais, e os resultados medíocres obtidos no Campeonato Brasileiro confirmam tal circunstância. O despropósito das medidas é tal que o Clube se dispõe a liberar instrumentos e alegorias até mesmo para o Paraná Clube, em nosso campo sem nenhuma das medidas impostas contra o torcedor atleticano. Dentro desse cenário, propor-se-á em Assembleia a liberação de todos os adereços e instrumentos das torcidas organizadas (bandeiras, faixas e bateria), para que o Estádio volte a ter os traços que tornaram o Atlético Paranaense temido pelos seus adversários;

6 – A Câmara de Ética do Clube atua de maneira inquisitória, e tem se revelado um instrumento de perseguição (e punição) de atleticanos que discordam da direção. Um exemplo recente dessa postura foi a expulsão do ex-Presidente Marcos Augusto Malucelli, mantida em instância recursal pelo Conselho Deliberativo. A medida não só foi desproporcional, como também contrariou entendimento adotado pelo Poder Judiciário, que meses antes fixara entendimento pela absolvição do ex-Presidente atleticano pelos mesmos fatos discutidos internamente no Clube. Independentemente das valorações que foram feitas quando do julgamento dos processos, considerando a gravidade da sanção imposta ao ex-Presidente e o precedente jurisprudencial favorável a ele, propor-se-á a anulação da penalidade de expulsão a ele atribuída, admitindo-se a sua imediata reintegração ao quadro associativo;

7 – As dívidas contraídas para construção do estádio são imensas e desconhecidas dos torcedores. Ao que se tem notícia, o principal patrimônio do Clube (Estádio e Centro de Treinamentos) está constrito como garantia de execuções movidas em face da sociedade constituída para administrar as obras para a Copa. Assim, e como dever de transparência, propor-se-á que o Clube torne público em até 10 dias a real situação das contas pós Copa do Mundo, e indique (a) quais os planos para quitação das dívidas com o poder público e (b) a real situação dos bens do clube que foram dados como garantia para a construção da Arena da Baixada – e, se constritos, qual a perspectiva de sua regularização.

Uma gestão que age no interesse exclusivo de seu comando, sem comprometimento com sua torcida e suas promessas de campanha, e que desrespeita as finalidades precípuas do Clube, não possui legitimidade representativa – notadamente numa nação de mais de 1 milhão de atleticanos.

Há um verdadeiro regime ditatorial implementado no Atlético Paranaense, cujas características se amoldam a qualquer definição científica e filosófica. Impor a vontade da (relativa) maioria sobre a de todos os outros não se confunde com a noção de democracia. E a história faz questão de deixar isto claro. O regime democrático foi concebido a partir dos ideais de soberania popular. E esta soberania se identifica pela vontade da maioria, mas com respeito à de todos os demais. A fragmentação que hoje existe no Atlético Paranaense deveria servir de incentivo aos gestores para revisão de seus conceitos com vistas a atingir o bem comum, e jamais para criar mecanismos persecutórios e de repressão por conta da discórdia.

O Atlético Paranaense precisa voltar para os braços de sua torcida. O Atlético precisa voltar a ser Atlético. De Novo”