Crianças e adolescentes também sofrem de depressão

Foto ilustrativa: Creative Commons
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O tabu de que crianças e adolescentes não têm depressão e não chegam ao suicídio deve ser extinto. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o suicídio é, atualmente, a terceira causa de morte de jovens de 15 a 19 anos no Brasil e significa quase 10% das mortes em todo o mundo. A OMS alerta que esses números podem ser ainda maiores, já que existe uma grande limitação com as notificações. A subnotificação por preconceito dificulta no combate ao suicídio.

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Na visão dos especialistas, várias questões colaboram com essas estatísticas: bullying, violências e até situações cotidianas que influenciam a autoestima de meninos e meninas. Por essas e outras razões, jogos virtuais como o da ‘Baleia Azul’ podem se tornar realmente perigosos nesse processo e envolvem idades ainda menores. É importante que os responsáveis se atentem ao que os pequenos têm interesse e procura. Conteúdos nas mídias audiovisuais e acesso a medicamentos devem ser criteriosamente supervisionados.

A depressão é uma doença grave e, ainda na infância, a exposição a níveis de estresse muito elevados e os inúmeros estímulos recebidos muitas vezes prejudicam o desenvolvimento da criança. Segundo especialistas, por serem incapazes de lidar com essas situações se faz necessária nessa fase a participação dos responsáveis, que podem ajuda-la superar inúmeros obstáculos, já que a capacidade de enfrentamento só aumenta com as experiências vividas e com a maturidade emocional adquirida com o tempo.

“A criança que recebeu orientações adequadas se transforma em um jovem que conhece suas competências e limitações, que sabe se proteger e diferenciar o que lhe serve do que não lhe serve”, explica a coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, Ângela Bley.

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“Dos 16 aos 21 anos, a região pré-frontal do cérebro está em processo de amadurecimento. Porém, isso não ocorre de forma homogênea. Logo, as possibilidades de conter impulsos, de refletir antes de agir e de fazer escolhas ainda estão sendo desenvolvidas”, destaca a neurologista pediátrica da instituição, Mara Lúcia Santos. Por isso, a presença e orientação dos pais ou cuidadores é tão importante.

90% dos casos de suicídio podem ser evitados

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, em 90% dos casos os suicídios estão associados a patologias de ordem mental que são diagnosticáveis e tratáveis e afirma que se os cidadãos se sentirem responsáveis pelos vizinhos, parentes e sociedade em geral a tese de que ‘não há o que fazer quando a alguém deseja se matar’, cai e não se aplica.

Assumir uma condição de liberdade supervisionada e estabelecer limites saudáveis, nesse contexto, é imprescindível. Além disso, a conversa sincera é essencial. O silêncio em torno do assunto alimenta a passividade e, nesses momentos, deve-se ter ação.

“Os adolescentes precisam de proteção, pois ainda não se desenvolveram o suficiente para conseguirem tomar conta de si. Eles irão descobrir como lidar com as coisas pela experiência, mas precisam ser acompanhados de perto por seus pais. O suicídio não pode ser tratado de forma preconceituosa ou dogmática”, afirma a psiquiatra do Hospital Maria Carolina Serafim.