Astrônomos descobrem anel em planeta anão companheiro de Plutão

Foto: Divulgação
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Um grupo de pesquisadores conseguiu observar o curioso planeta anão Haumea, que é o menos conhecido entre os quatro planetas anões que ficam além da órbita de Netuno. Por meio de ocultações estrelares, os astrônomos descobriram um anel em torno de Haumea

É a primeira vez que um anel é descoberto em torno de um planeta transnetuniano, o que aponta que a presença dos anéis pode ser mais comum do que se imaginava, no nosso Sistema Solar e em outros sistemas planetários.

“Há apenas alguns anos, só conhecíamos a existência de anéis em torno de planetas gigantes e há pouquíssimo tempo, o mesmo grupo descobriu também que dois pequenos corpos, Charklo e Chiron, situados entre Júpiter e Netuno, tem anéis densos, o que foi uma grande surpresa. Agora descobrimos que corpos mais distantes que os centauros, maiores e com características muito diferentes, também podem ter anéis”, afirmou o coautor da pesquisa, Pablo Santos-Sanz, do Instituto de Astrofísica de Andaluzia (IAA-CSIC).

WhatsApp Image 2017-10-11 at 11.56.30 (1)“É uma nova característica de um planeta anão que com certeza vai nos trazer elementos para entender melhor a formação deles. Foi uma grande surpresa descobrir o anel, nós ainda não sabemos a origem dele”, afirmou o professor da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR), Felipe Braga Ribas.

O planeta anão

Haumea é um curioso planeta do sistema solar, formado por rocha e gelo. Ele gira em torno do sol em uma órbita que se completa em 284 anos e tem uma velocidade de rotação extremamente rápida, de 3,9 horas, mais veloz do que qualquer outro corpo do sistema solar, com cerca de cem quilômetros de diâmetro.

A velocidade faz com que o planeta se deforme, por isso, ele tem um formato alongado, parecido com uma bola de rugby. As descobertas recentes apontam que o país tem 2.320 quilômetros no seu maior lado, quase semelhante ao diâmetro de Plutão, mas não tem uma atmosfera global.

Ele fica situado no cinturão de objetos transnetunino com outros três planetas anões: Plutão, Eris e Makemake.

Observação com ocultação estrelarWhatsApp Image 2017-10-11 at 11.56.30

Os objetos que ficam após a órbita de Netuno são difíceis de estudar devido ao pequeno tamanho, baixo brilho e enormes distâncias os separam da Terra. Um dos métodos utilizados para possibilitar o estudo são a ocultação estrelar, ou seja, a passagem desses objetos em frente a uma estrela.

“Estudar esses planetas é como medir uma moeda de R$ 1, a 200 quilômetros de nós” disse Ribas. “Fazemos a previsão de quando e onde vamos ter a ocultação estrelar, quando nós podemos ver a sombra dele projetada na Terra como um-mini eclipse e medir o tamanho”, explicou.

Novas pesquisas

Ainda não se sabe a origem dos anéis e de quê eles são formados, itens que devem ser estudados pelos astrônomos. “É uma pesquisa que traz mais perguntas do que respostas, uma boa pesquisa na área da ciência faz isso. Vamos continuar observando esses objetos e fazer simulações desses anéis, como eles podem ou não evoluir, tentar entender do que eles são formados e por quanto tempo estão lá, pode ser que tenham mais anéis, também queremos saber qual a influencia da rotação do planeta sobre o anel”, disse. “Uma vez que estamos explorando o desconhecido devemos apresentar novidades em breve”, explicou.

Pesquisadores

A descoberta foi feita em uma campanha internacional de observação, envolvendo França, Espanha e Brasil, liderado por José Luiz Ortis, astrônomo do Instituto de Astrofísica de Andaluzia, com a participação de professores e alunos paranaenses, entre eles o Prof. Dr Felipe Braga Ribas (UTFPR) e sua orientanda no programa de pós-graduação, Flávia L. Rommel.

Também participaram outros astrônomos brasileiros: do Observatório Nacional/MCTIC e do Observatório de Valongo (UFRJ).

“É importante mostrar que o Brasil está pronto, há tempos, para pesquisa de ponta com a possibilidade de descobertas, trazendo nossos alunos e instituições para o destaque que esse tipo de descoberta proporciona, mostrando que estamos junto com todos os outros países de primeiro mundo”, afirmou Felipe.

escala

Ilustração compara tamanhos de planetas: a esquerda está Chakiro, um planeta anão antes da órbita de Neturno, no meio o Haumea e a direita Plutão.