‘Diretas Já’ não é consenso entre manifestantes de Curitiba

Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal
Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

Uma nova manifestação pela saída de Michel Temer (PMDB) da Presidência da República e que pede eleições “Diretas Já” foi marcada para esta sexta-feira (19), em Curitiba. A concentração deve ocorrer na Praça Dezenove de Dezembro, no centro da capital, a partir das 18h30.

Outras manifestações devem ocorrer no fim de semana. Embora não haja defensores de Michel Temer entre os grupos, as reivindicações são diferentes. Alguns pedem renúncia ou impeachment de Temer, outros eleições diretas, alguns indiretas, e há até mesmo os que querem deixar que a Justiça e o Congresso decidam o destino do presidente.

No primeiro ato, em uma noite chuvosa, cerca de dois mil foram às ruas de Curitiba nessa quinta-feira (18). A mobilização foi convocada por movimentos de esquerda, na quarta-feira à noite, assim que foi revelado conteúdo de gravação acrescentada à delação premiada do sócio da JBS, Joesley da Silva, em que o presidente aparece dando aval para a estratégia da empresa de pagar propina mensal ao ex-deputado Eduardo Cunha para evitar uma delação.

Foto: Narley Resende

Foto: Narley Resende

Para domingo (21), o grupo Primavera Cidadã, que se diz apartidário, vai realizar outro ato, marcado para começar às 14h na Praça Osório, na Boca Maldita.

Nesse caso, o grupo pede apenas o impeachment de Temer e não cita a preferência pela forma adotada para a eventual sucessão do cargo na Presidência da República. O movimento Primavera Cidadã também questiona as reformas propostas pelo presidente, como a trabalhista e da previdência.

“Fora Todos”

Entre os movimentos anti-PT, as manifestações que chegaram a ser marcadas foram todas canceladas. O grupo “Vem Pra Rua” que organizava um protesto para acontecer em frente à sede da Justiça Federal, no bairro Ahú, em Curitiba, cancelou o protesto em razão da representação do movimento em São Paulo. A capital paulista terá a Virada Cultural no fim de semana e o grupo atendeu a um pedido da Polícia Militar para que o protesto fosse adiado.

O mote do Vem Pra Rua é “Fora Todos”. De maneira geral, o grupo pede a renúncia do presidente Temer, além de prisão do senador Aécio Neves, do PSDB, e do ex-presidente Lula, do PT. Nas páginas do grupo na internet, alguns membros defendem eleições indiretas, em consonância com partidos como o PSDB no Congresso Nacional, e outros pedem eleições diretas. Não há consenso sobre o tema.

O Movimento Curitiba Contra a Corrupção (MCC) havia marcado uma manifestação para domingo (18), mas que foi cancelada. Os organizadores afirmam que vão aguardar mais informações. De acordo com Cristiano Roger, representante do movimento, o grupo se diz a favor da Constituição Federal e contra as eleições diretas.

Tanto o Vem Pra Rua quanto o Curitiba Contra a Corrupção devem marcar manifestações para a semana que vem. O líder do Movimento Brasil Livre no Paraná, Eder Borges, afirma que a queda do presidente agora traria um desgaste e instabilidade política e econômica ao país.

Primeiro protesto após delação de donos JBS

Apesar da chuva constante em Curitiba, manifestantes se concentraram na noite dessa quinta-feira (18) em dois atos distintos. O grupo convocado pela Central Única dos Trabalhadores e pela Frente Brasil Popular saiu da Praça Santos Andrade, por volta das 20 horas, e se encontrou com os manifestantes convocados pelo coletivo Curitiba Resiste, na Praça Dezenove de Dezembro.

Com um caminhão de som de pequeno porte, o ato unificado saiu em passeata pela Avenida Cândido de Abreu. No caminho, algumas ocorrências pontuais foram registradas.

Pedras foram atiradas contra o prédio da Federação das Indústrias do Paraná, contra uma agência da Caixa Econômica o outra do banco Santander.

Mesmo com policiais se postando entre os manifestantes e os prédios, grupos menores jogavam duas ou três pedras de longe. Apesar de alguns momentos de tensão, não houve confronto entre policiais e manifestantes. A passeata seguiu até o Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, no Centro Cívico, onde encerrou o protesto por volta das 21h.

As manifestações dessa quinta pediram a saída de Michel Temer e a mudança da Constituição Federal para que seja possível realizar imediatamente Eleições Diretas.