‘Eike do Sul’ está entre condenados por Moro por desvios no IFPR

Foto: Reprodução / Facebook
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Com informações de Lenise Aubrift Klenk

O empresário gaúcho radicado no Paraná Alexandre de Souza Azambuja, um dos condenados pelo juiz federal Sérgio Moro por desvio de recursos do Instituto Federal do Paraná (IFPR) nesta terça-feira (8), já chegou a ser conhecido como “Eike do Sul”, em referência à fortuna que foi construída pelo empresário Eike Batista. Azambuja chegou a ter 28 empresas. O empresário foi condenado a 8 anos e 6 meses de reclusão e 2 anos de detenção.

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De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, os desvios ocorreram em pagamentos de serviços e despesas simuladas feitos pelo IFPR para duas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips).

A sentença, do juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, foi proferida quatro anos depois de deflagrada a Operação Sinapse, que investigou o caso. Além do ‘Eike do Sul’, outras quinze pessoas foram condenadas. A sentença determina o confisco de bens e valores equivalente ao prejuízo estimado, que é de R$ 6,6 milhões.

“A opção pela utilização de Oscips para a execução dos cursos de EaD do IFPR foi o meio empregado pela organização criminosa para burlar as exigências de licitação e concursos públicos, o que propiciou a manutenção do esquema criminoso de desvios de recursos públicos por aproximadamente 4 anos”, afirmou Moro.

Alexandre de Souza Azambuja, o 'Eike do Sul' | Foto: Reproduçãi / Facebook

Alexandre de Souza Azambuja, o ‘Eike do Sul’ | Foto: Reproduçãi / Facebook

Os envolvidos foram condenados por crimes como o de peculato, corrupção passiva, falsidade ideológica, fraude em licitações e associação criminosa na execução de cinco termos de parceria para Educação a Distância (EaD), de 2009 a 2013. Os contratos foram firmados com o Ibepoteq (Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas para Otimização da Tecnologia e da Qualidade Aplicadas) e a ABDES (Agência Brasileira de Desenvolvimento Econômico e Social).

As organizações eram contratadas para atuar nos cursos a distância, superfaturavam valores e emitiam notas frias. Ao todo, 27 réus responderam ao processo. Desses, 16 foram condenados e 11, absolvidos. As penas variam de um ano a 22 anos de prisão. O processo identifica como líderes do esquema criminoso os servidores do IFPR José Carlos Ciccarino e Ricardo Herrera; os empresários Gilson Amâncio e Alexandre de Souza Azambuja, do Ibepoteq, José Bernardoni Filho, da ABDES; e Arnaldo Suhr, da empresa Obra Impressa.

Na sentença, o juiz Sérgio Moro, conhecido por tratar com celeridade os processos que comanda, justificou a demora na finalização do caso. Ele afirma não ter sido possível sentenciar a ação penal antes, em decorrência da complexidade da causa e do acúmulo de trabalho decorrente da Operação Lava Jato.