Ex-estagiário da Justiça é solto após assumir acessos a processo do “Barão das Drogas”

Foto: Divulgação PF
Foto: Divulgação PF

O ex-estagiário da Justiça Federal de Londrina, no norte do Paraná, foi solto após assumir ter acessado de forma ilegal o processo de um dos traficantes mais procurados pela Polícia Federal, conhecido como “Cabeça Branca”.

“Como era uma prisão temporária e ele colaborou com as investigações, trouxe fatos novos, o delegado afirmou que ele poderia ser liberado”, afirmou o policial federal João Luiz Silva.

Ainda de acordo com a polícia, o rapaz confessou que tinha acessado o processo e passado a senha a familiares do traficante. “Ele passou para a namorada, que é filha do Cabeça Branca e para os outros dois filhos dele. Todos foram ouvidos e confirmaram os acessos”, afirmou Silva. O ex-estagiário não teria recebido nada em troca da chave de acesso ao processo. “Não foi constatado nenhum recebimento ilícito”, disse.

A PF apreendeu os celulares e notebooks utilizados para acessar o sistema da Justiça Federal. As investigações devem continuar para definir se este foi um ato isolado do ex-estagiário ou se ele participa de uma ação criminosa.

O rapaz, que foi preso na manhã da última segunda-feira (20) foi liberado no final da manhã de quarta-feira (22), segundo a Polícia Federal. (Veja a íntegra do despacho que determinou a prisão).

A prisão aconteceu no âmbito da “Operação Controle”. O nome foi escolhido em referência ao controle da Polícia Federal, Justiça Federal e Ministério Público sobre os processos.

Maior traficante da América Latina

Luiz Carlos da Rocha estava entre os traficantes mais procurados pela PF e Interpol na América do Sul. A soma das condenações proferidas pela Justiça Federal  passa de 50 anos de prisão.

Por mais de três décadas, Cabeça branca esteve no topo da lista dos criminosos mais procurados do país. Sozinho era responsável por abastecer mensalmente com pelo menos cinco toneladas de cocaína, de alto grau de pureza, países na Europa, na África e nos Estados Unidos.

Considerado pela Polícia Federal como um grande empresário do narcotráfico e chamado de Pablo Escobar brasileiro, agora está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, longe do luxo da vida milionária.

O grupo criminoso capitaneado por Cabeça Branca operava como uma estrutura empresarial, controlando e agindo desde a área de produção em regiões inóspitas e de selva em países como a Bolívia, Peru e Colômbia, até a logística de transporte, distribuição e manutenção de entrepostos no Paraguai e no Brasil, fixando-se também em áreas estratégicas próximas aos principais portos brasileiros e grandes centros de consumo, dedicando-se à exportação de cocaína para Europa e Estados Unidos. Também foi apurado que Luiz Carlos da Rocha é um dos principais fornecedores de cocaína para facções criminosas paulistas e cariocas. Estima-se que a quadrilha liderada por ele era responsável pela introdução de 5 toneladas de cocaína por mês em território nacional com destino final ao exterior e Brasil.

Segundo as investigações, a cocaína era transportada em aviões de pequeno porte que partiam dos países produtores Colômbia, Peru e Bolívia, utilizando-se do espaço aéreo venezuelano com destino para fazendas no Brasil, na fronteira entre os estados do Pará e Mato Grosso. Depois de descarregada dos aviões do narcotráfico, a cocaína era colocada em caminhões e carretas, com fundos falsos especialmente preparados para o transporte da droga, cujo destino era o interior do estado de São Paulo para distribuição para facções criminosas paulista e carioca, ou o Porto de Santos/SP, de onde era exportada para Europa ou Estados Unidos.