Itamaraty diz que faz o possível por brasileiros isolados por furacão

Foto: Regiane Shwartz
Foto: Regiane Shwartz

O Ministério das Relações Exteriores informou na tarde desta sexta-feira (8) que faz o possível para atender os brasileiros isolados em ilhas do Caribe, após a passagem do Furacão Irma e da previsão de chegada do Furacão José. “Informamos que o Consulado do Brasil em Caiena está cuidando do caso e prestando toda a assistência possível aos brasileiros”, diz o Itamaraty em nota.

“Não tem mais água nem para beber. Preciso de ajuda para sair daqui”, escreveu a paulistana Regiane Schwartz, de 51 anos, em mensagem enviada à família pelo Whatsapp, em um dos poucos momentos que conseguiu sinal de internet.

Regiane e um grupo de aos menos 11 brasileiros, sendo três crianças, estão hospedados no hotel Royal Palm Beach Resorts, que sofreu diversos danos e já não tem estoque de comida e água, na ilha caribenha de São Martinho (Sint Maarten), uma das mais afetadas pelo furacão Irma, de magnitude 5 – maior na escala de medição.

“Acabo de encontrar mais um casal brasileiro com uma criança de 3 anos. Agora não posso mais sair do casino. Os militares estão armados nas ruas”, escreveu em uma das últimas mensagens, por volta das 13h (horário de Brasília).

O grupo está isolado no lado holandês da ilha. O casal de vendedores Regiane Schwartz e Ricardo Huls, de 58 anos, que mora em São Paulo, viajou em férias para a ilha no dia 29 de agosto, quando ainda não havia alerta da magnitude do furacão. Após a passagem do Irma, a ilha onde eles se hospedaram ficou completamente destruída, assim como outras da região. Pelo menos 17 pessoas morreram até agora nos locais por onde passou o furacão.

Depois de causar devastação no Caribe, o ciclone tropical está se encaminhando para a costa leste dos Estados Unidos e pode atingir o sul do país neste fim de semana.

A preocupação das pessoas que ficaram nas ilhas caribenhas até esta sexta-feira (8) é sobreviver até a chegada de outro furacão, o José. Na tarde desta quinta-feira, o furacão José foi elevado à categoria 3, com ventos de 195 km/h.

José também se dirige ao Caribe, e, apesar de menos intenso que o Irma, pode causar mais destruição, além de manter a ilha desabastecida e com voos cancelados.

Mensagens

Encontramos um brasileiro que disse que em menos de duas semanas não conseguimos sair daqui
Estou muito preocupada . Não tem mais água nem para beber. Preciso de ajuda para sair daqui“, escreveu Regiane em mensagem enviada ao irmão.

Não sei por quanto tempo terei internet. Estou sem internet no hotel. O consulado disse que “estão estudando” um plano de retirada. Hoje é apenas telefone de atendimento de emergência, que passou essas informações. Conto com sua ajuda… O aeroporto está fechado. Não desce nem sobe nenhum avião. A AA me mandou um e-mail. “Please call to book a new flight”. Pousaram dois aviões pequenos no aeroporto. Acho que estão tratando a pista“, escreveu Regiane.

Foto: Regiane Shwartz

Foto: colaboração / Regiane Shwartz

Alternativas

De acordo com o irmão de Regiane, Alexandre Schuartz, não há alternativa para o casal sair de lá. “Sem comida, sem água potável, sem luz e sem comunicação. A companhia aérea AA (American Airlines) somente tem vôos agendados/disponíveis após o dia 10 de setembro. Só que nesta data está prevista para a chegada de um novo furacão na região (Hurricane Jose), que entendo, caso se confirme, os voos serão novamente cancelados”, conta.

Conforme o relato de Alexandre, que mora em Curitiba, o casal encontrou um ponto na ilha onde consegue enviar mensagens de Whatsapp. “Muito precário. Cada mensagem demora meia hora para confirmar o envio, quando consegue, só naquele ponto da ilha pelo 3G”, afirma.

ilhasOutros três casais de brasileiros estão com Regiane e Ricardo e nenhum deles encontrou alternativa para sair da ilha. “A ilha foi simplesmente devastada pelo furacão Irma, não disponibilizando qualquer forma até de locomoção. Não tem mais comida e eles não sabem o que fazer até a chegada do outro furacão”, diz Alexandre.

“Dentro do hotel caiu tudo em volta, o vento chegou a 300 km/h, momentos de desespero total”, relata. “Entrei em contato com o consulado brasileiro, porém ainda não existe nenhum plano de retirada dos brasileiros de lá, e é claro que o consulado brasileiro das Guianas, está sem um telefone funcionando”, afirma.

O consulado brasileiro orientou o casal a procurar o aeroporto Pointe-a-Pitre, em Basse-Terre, há 900 quilômetros de distância. “O problema é que os portos também estão afetados”, conta Alexandre.

Haiti

Tropas brasileiras no Haiti permaneceram em Minushtah, em razão da passagem pelo norte do país do furacão Irma. A retirada das tropas foi prorrogada para o dia 17 de setembro. A missão encerrou oficialmente suas patrulhas militares em 30 de agosto passado e estão, no momento, em preparação para a desativação completa da missão até 15 de outubro.

“Diante da gravidade e a excepcionalidade da situação, bem como do histórico de cooperação diante de desastres naturais no Haiti, parte do contingente brasileiro foi deslocado preventivamente para a região que se encontra na rota do furacão, de forma a minimizar seu impacto por meio de orientação à população e prestação de ajuda humanitária imediata”, informou o Itamaraty sobre o Haiti.

Fotos e vídeos enviados por Regiane Schwartz:

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