Juiz manda ao STF depoimento que cita deputado na Carne Fraca

Foto: TV Assembleia
Foto: TV Assembleia

Narley Resende e Jordana Martinez

O juiz Marcos Josegrei da Silva, responsável pelos processos da Operação Carne Fraca na 14ª Vara Federal de Curitiba, enviou nesta quarta-feira (6) ao Supremo Tribunal Federal (STF) os trechos do depoimento do ex-gerente da JBS Flávio Evers Cassou em que ele cita políticos com foro privilegiado.

Na última sexta-feira (1º), Cassou disse que pagou propina a fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e que parte do dinheiro era destinado a políticos do PMDB do Paraná. Segundo o ex-gerente, os repasses eram feitos mensalmente por ordem da matriz da empresa de Joesley Batista. Cassou afirmou que o deputado federal Sérgio Souza (PMDB-PR) recebia mesada de R$ 20 mil do esquema descoberto pela Carne Fraca, que e investiga uma rede de corrupção que envolvia empresas do ramo de proteína animal e funcionários no Paraná do Ministério da Agricultura.

“Considerando os termos do interrogatório prestado pelo réu Flávio Evers Cassou (eventos 1204 e 1206) no qual há menção ao possível recebimento de vantagens indevidas por deputado federal, cuja competência para investigação, processo e julgamento é do Supremo Tribunal Federal, autorizo a remessa, pelo MPF, de cópia dos registros audiovisuais do ato ao STF para adoção das medidas que entender pertinentes”, diz o despacho do juiz. (Veja o documento).

O ex-senador e atual deputado federal Sérgio Souza também é citado em grampos da Carne Fraca e suspeito de ter recebido dinheiro do ex-superintendente do Mapa, Daniel Gonçalves, apontado pela Polícia Federal como um dos líderes do esquema de pagamento de propina a fiscais. A assessoria do deputado afirmou em nota que ele irá se manifestar somente depois de ter acesso ao conteúdo do depoimento do veterinário.

Sergio Souza

Sergio Souza (PMDB-PR). Foto: Câmara Federal.

O deputado federal paranaense Osmar Serraglio (PMDB-PR), ex-ministro da Justiça do Governo Michel Temer, que também foi flagrado em grampo telefônico numa conversa com Gonçalves Filho, afirmou anteriormente que o nome do superintendente foi chancelado pela bancada do PMDB do Paraná, mas nega ter sido o responsável pela indicação.

Cassou está preso preventivamente na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 17 de março.

Parte do depoimento de Cassou foi publicada nesta quarta-feira (6) e outra parte nessa terça (5). A oitiva durou cerca de 4 horas.

Entre os principais beneficiários da propina relatada por Cassou estavam o ex-superintendente Regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Daniel Gonçalves Filho, a ex-chefe do Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Maria do Rocio Nascimento e o fiscal agropecuário Renato Menon.

No trecho do depoimento publicado no sistema da Justiça Federal (JF) nesta quarta-feira (6), o ex-gerente da JBS afirma que a cobrança de propina de frigoríficos do Paraná por fiscais do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa) foi feita por funcionários ligados ao PMDB e PP.

De acordo com Cassou, uma “mudança em Brasília” passou o controle da cobrança de valores do PMDB para o PP. A pessoa ligada ao PMDB seria Daniel Gonçalves Filho, e ao PP, Gil Bueno de Magalhães, também ex-superintendente federal da Agricultura no Paraná.

“O comando disso aí era ou o Daniel ou o Giu. Quem tivesse mais força política no momento. Depois teve uma mudança em Brasília e passou a ser do PP, aí o comando passou a ser do Giu”, disse no depoimento (Veja abaixo em 6’30”).