Justiça aceita denúncia contra 34 acusados na Operação Research

Roger Pereira

O juiz Marcos Josegrei da Silva aceitou, nesta sexta-feira, denúncia do Ministério Público Federal, tornado réus 34 dos 36 acusados de envolvimento no esquema de fraude em bolsas de pesquisa e pós-graduação na Universidade Federal do Paraná, descoberto pela Operação Research, da Polícia Federal. Dois dos acusados tiveram seus processos desmembrados, por serem acusados de crimes de menor proporção. Segundo a denúncia, pelo menos R$ 7,5 milhões foram desviados dos cofres públicos com o pagamento de bolsas a pessoas que sequer tinham vínculo com a UFPR.

O MPF denunciou os envolvidos pelos crimes de associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. De acordo com os promotores, quatro funcionárias da UFPR, valendo-se dos cargos que ocupavam na Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa da instituição realizaram pagamentos mensais a beneficiários que não possuíam vínculo com a universidade, seja como aluno, servidor ou professor. Os pagamentos ocorriam a título de Auxílio a Pesquisadores e bolsas de estudo no país e no exterior.

Entre os denunciados estão a secretária da pró-reitoria de Planejamento e Orçamento, Tânia Márcia Catapan, e a chefe do setor de Orçamento e Finanças da pró-reitoria, Conceição Abadia de Abreu Mendonça. Segundo as investigações, as duas, com auxílio de outras duas servidoras, obtinham nomes e documentos de pessoas de confiança, que se passavam como bolsistas da UFPR. Posteriormente, o dinheiro das bolsas era sacado e entregue às articuladoras. Foram identificados os pagamentos a 27 pessoas estranhas à comunidade acadêmica.

Entre março de 2013 e outubro do ano passado, foram constatadas fraudes em 234 processos de pagamentos realizados, comprovando-se o desvio de, pelo menos, R$ 7.351.133,10. O MPF requer o pagamento do valor dos denunciados.


O juiz decidiu desmembrar o processo de dois investigados, a atual vice-reitora da Universidade Federal do Paraná, professora-doutora Graciela Bolzón, e o ex-pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Edílson Sérgio Silveira. A decisão segue uma proposta do Ministério Público Federal de transação penal, pelo fato de serem acusados de um crime de menor potencial ofensivo. Contra eles pesa a acusação de peculato culposo, quando o réu permite, involuntariamente, que outro servidor se aproprie de bens públicos. A transação penal prevê a negociação de um acordo que pode até mesmo extinguir a pena, desde que os réus assumam responsabilidades e paguem multa.

 

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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