Justiça bloqueia R$ 1 bilhão de empresários do agronegócio

Foto ilustrativa: Daniel Isaia/ Agência Brasil

Narley Resende, com Iara Maggioni, da BandNews FM Curitiba

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1 bilhão dos investigados na Operação Carne Fraca, que tem o objetivo de combater a corrupção de fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. São 1100 policiais federais que estão nas ruas desde o começo da manhã para cumprir 309 mandados judiciais.

São 27 mandados de prisão preventiva, válida por tempo indeterminado, 11 de prisão temporária, válida por 5 dias, 77 mandados de condução coercitiva – quando investigados são encaminhados para prestar depoimento – e 194 mandados de busca e apreensão.

A operação é realizada no Paraná, São Paulo, Distrito Federal, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. Segundo investigações, os agentes públicos que deveriam fiscalizar o setor agropecuário acabavam facilitando a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização de fato.

Para cometer essa irregularidade, os agentes recebiam propina. Todo esse esquema permitiu com que várias empresas operassem em total desrespeito à legislação. São mais de 70 empresas citadas por participar das supostas irregularidades, entre elas o Frigorífico JBS, Seara e BRF.

Em despacho que autoriza as prisões, o juiz da 14ª Vara Federal de Curitiba, Marcos Josegrei da Silva, afirma que “É estarrecedor perceber que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tenha tomado de assalto – em ambos os sentidos da palavra – por um grupo de indivíduos que traem, reiteradamente, a obrigação de efetivamente servir à coletividade”.

Leia os decisões: DECISÃO PARTE 1 DECISÃO PARTE 2

Operação em frigorífico. Divulgação / PF

Operação Carne Fraca em frigorífico. Divulgação / PF

Entre os problemas encontrados ao longo de 2 anos de investigação, estão a reembalagem de produtos vencidos, inobservância da temperatura adequada das câmaras frigoríficas, venda de carne imprópria para o consumo humano e até uso de produtos cancerígenos em doses altas para ocultar as características que impediriam o consumo dos produtos. Há situações até em que a contratação de fiscais contou com a aprovação de empresários que iriam ser fiscalizados no futuro, inclusive com o pagamento de parte expressiva da remuneração do funcionário sendo feita, de forma oculta, pelo setor privado.

O juiz ainda ressalta que “a conclusão a que se chega é a de que a menor das preocupações que possuem os servidores é a de inspecionar a adequação aos parâmetros de qualidade dos produtos que depois serão consumidos por brasileiros e, nos casos de exportação, por estrangeiros”.

Foram identificados, nas investigações, três grupos criminosos de servidores no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Paraná: núcleo baseado em Curitiba, liderado pelo fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, sucedido em suas funções por Gil Bueno de Magalhães, Superintendente regional do Mapa, e Maria do Rocio Nascimento, chefe do SIPOA; núcleo baseado em Londrina, chefiado por Juarez Santana, chefe da Unidade Técnica Regional de Agricultura de Londrina – Utra/Londrina; e núcleo Foz do Iguaçu, coordenado por Antonio Garcez da Luz, chefe do escritório do Mapa em Foz do Iguaçu. Além do núcleo baseado no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em Goiás, cujo líder seria o Chefe do Sipoa, Dinis Lourenço da Silva, que adota modus operandi semelhante ao do Paraná.