Mais de 75 mil computadores foram infectados em todo mundo

David Chang/EFE/EPA/Agência Brasil
David Chang/EFE/EPA/Agência Brasil
Com agências

A polícia francesa estimou neste sábado que mais de 75 mil computadores foram infectados em todo o mundo pelos ciberataques registrados em aproximadamente 100 países.

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Em um boletim de prevenção, a Polícia Nacional indicou que os primeiros ataques se dirigiram contra o sistema de saúde britânico, bem como contra “uma importante companhia de telecomunicações espanhola”, em alusão à Telefónica. As informações são da Agência EFE.

A polícia também fala de uma “uma grande empresa francesa”, em referência ao fabricante Renault, e que isso conduziu à parada brusca de “algumas de suas linhas de produção”.

A Promotoria de Paris já tinha aberto uma investigação sobre este assunto pela intrusão em sistemas de tratamento automatizado de dados, obstaculização de seus funcionamento, extorsão e tentativa de extorsão.

As investigações foram encarregadas ao OCLCTIC, o serviço do polícia especializado na luta contra a delinqüência nas tecnologias da informação e comunicação.

Em nota preventiva, a Polícia Nacional disse que para os usuários de computadores com o sistema operacional Windows é recomendado “inclusive em ausência de infecção aparente”, que se aplique o corretivo Microsoft MS 17-010.

Caso o vírus tenha se introduzido no equipamento – acrescentou -, “é indispensável isolar a máquina infectada desligando-a da rede familiar ou da empresa, o que impedirá toda propagação”.

Isso pode ser feito desligando o computador, retirando o cabo que o conecta à rede ou desativando o wifi.

Os autores do aviso apontaram que o programa é “particularmente perigoso” por sua forma de se propagar, já que uma vez que entrou em uma máquina, age no conjunto da rede e paralisa todas os equipamentos a partir de uma codificação dos arquivos.

Ciberataque foi controlado

De acordo com o analista da empresa russa de segurança cibernética Kaspersky, Vicente Díaz, o ciberataque foi controlado. “Está controlado. O código malicioso que foi utilizado para o ciberataque já foi neutralizado. Na sexta-feira, ele pegou de surpresa muita gente. Mas assim que as empresas entenderam o que estava acontecendo, todo o mundo correu para encontrar uma solução”, apontou Díaz.

O especialista acredita que o fato de o ciberataque “quase planetário” ter sido “capa” em todos os meios de informação, fez com que a comunidade internacional levasse muito a sério o ataque e suas consequências.

“Foi revelador para muita gente. Em sete ou oito anos não havia ocorrido outro igual”, apontou.

Mas Díaz adverte que se as empresas não corrigiram a “vulnerabilidade subjacente” utilizada pelo código malicioso, o ciberataque pode se repetir em qualquer momento.

O especialista se disse “surpreso pela virulência, o sucesso desmesurado, a magnitude mundial e a capacidade destrutiva do código utilizado”.

Em sua opinião, os autores do ataque buscavam dinheiro, mas “foi em vão”, e acredita que em nenhum momento esperavam que “tivesse tal virulência”, já que com 5% do ocorrido ontem, já teria sido “um sucesso”.

“Mas não acredito que fosse um ataque dirigido, sim massivo. Se o objetivo fosse causar caos, então haveria uma mensagem e não um resgate”, apontou.

O especialista em segurança informática acredita que o “efeito de pânico” fez que muitos contribuíssem ao sucesso do ataque e a “incapacitar o sistema” ao optar por desconectar os computadores e mandar os trabalhadores para suas casas.