Operação que investiga fraude na UFPR mira empresa e destino de recursos

Narley Resende

A Polícia Federal (PF) cumpre nesta sexta-feira (31) 20 mandados judiciais relacionados à 3ª fase da Operação Research, que apura fraude milionária no pagamento bolsas e auxílios à pesquisas na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Cerca de 50 policiais federais, além de auditores da Controladoria Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), cumprem 19 mandados de condução coercitiva e um mandado de busca e apreensão.

Esta etapa da investigação tem como objetivo o rastreamento do destino dos recursos públicos creditados nas contas dos falsos bolsistas, identificando outros possíveis beneficiários. Segundo a PF, uma empresa fornecedora de produtos para a UFPR é alvo da operação.

A ação ocorre em cinco cidades de três estados: em Curitiba e em São José dos Pinhais, no Paraná; em Campo Grande e em Corumbá, no Mato Grosso do Sul; e em Natal, no Rio Grande do Norte.


Segundo as investigações, eram feitos pagamentos sistemáticos, mensalmente, a pessoas que não têm qualquer vínculo com a UFPR, seja como professores, servidores ou alunos.

Foi constado que grande parte sequer possui curso superior, tendo sido verificado, ainda, que a maioria possui profissões como cabelereiro, motorista de caminhão, cozinheiro e outras atividades que não exigem qualificação superior.

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Operação Research

O juiz Marcos Josegrei da Silva aceitou, no dia 23 de março, denúncia do Ministério Público Federal, tornando réus 34 dos 36 acusados de envolvimento no esquema de fraude em bolsas de pesquisa e pós-graduação na Universidade Federal do Paraná, descoberto pela Operação Research, da Polícia Federal. Dois dos acusados tiveram seus processos desmembrados, por serem acusados de crimes de menor proporção.

Segundo a denúncia, pelo menos R$ 7,5 milhões foram desviados dos cofres públicos com o pagamento de bolsas a pessoas que sequer tinham vínculo com a UFPR.

O MPF denunciou os envolvidos pelos crimes de associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.

De acordo com os promotores, quatro funcionárias da UFPR, valendo-se dos cargos que ocupavam na Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa da instituição realizaram pagamentos mensais a beneficiários que não possuíam vínculo com a universidade, seja como aluno, servidor ou professor. Os pagamentos ocorriam a título de Auxílio a Pesquisadores e bolsas de estudo no país e no exterior.

Entre os denunciados estão a secretária da pró-reitoria de Planejamento e Orçamento, Tânia Márcia Catapan, e a chefe do setor de Orçamento e Finanças da pró-reitoria, Conceição Abadia de Abreu Mendonça.

Segundo as investigações, as duas, com auxílio de outras duas servidoras, obtinham nomes e documentos de pessoas de confiança, que se passavam como bolsistas da UFPR.

Posteriormente, o dinheiro das bolsas era sacado e entregue às articuladoras. Foram identificados os pagamentos a 27 pessoas estranhas à comunidade acadêmica.

Entre março de 2013 e outubro do ano passado, foram constatadas fraudes em 234 processos de pagamentos realizados, comprovando-se o desvio de, pelo menos, R$ 7.351.133,10. O MPF requer o pagamento do valor dos denunciados.

Operação Research
Imagem: CGU

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