Paraná terá onda de greves a partir de mobilização nacional

Foto: Rodolfo Buhrer / La imagem / Fotoarena

Diferentes categorias devem entrar em greve a partir da próxima quarta-feira, dia 15, no Paraná. Professores da rede estadual de ensino anunciaram que vão cruzar os braços, assim como professores municipais de Curitiba, agentes da saúde, metalúrgicos, servidores públicos, Polícia Civil e cobradores motoristas de ônibus da Capital já confirmaram que também vão cruzar os braços no próximo dia 15.

Além de pautas específicas e locais de cada categoria, os trabalhadores se unem em uma mobilização nacional organizada por centrais sindicais. Protestos devem ser realizados em todo o país contra as reformas da previdência (PEC 287/2016) e trabalhista propostas pelo governo Michel Temer (PMDB).

Em assembleia, os professores da rede municipal de ensino de Curitiba decidiram na noite de quinta-feira (9) pela deflagração de greve por tempo indeterminado a partir da próxima quarta-feira.

Ao menos mil profissionais podem parar, segundo o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac). A paralisação deve afetar ao menos 141 escolas, creches e centros de atendimento especializado da capital paranaense. A principal reivindicação é a implantação imediata do Plano de Carreira, atrasada desde o fim do ano passado. Os profissionais também protestam contra a possibilidade de nã haver reajuste pela nova gestão da prefeitura. Os professores de Curitiba também exigem novas contratações e melhores condições de trabalho.

Em nota, a Prefeitura de Curitiba diz que a gestão “busca meios para honrar compromissos”. “A paralisação segue um movimento nacional contra a reforma da previdência e que não diz respeito ao segmento. A Prefeitura também informa que desde o início desta gestão busca meios para honrar os compromissos assumidos pela gestão anterior com os servidores e está aberta ao diálogo”, diz a íntegra da nota. A assessoria da prefeitura não respondeu se os dias parados serão descontados.

Professores do Estado

Os professores da rede estadual já haviam aprovado o indicativo de greve por tempor indeterminado no dia 11 de feverereiro, em assembleia geral realizada em Maringá, Noroeste do Paraná.

Os docentes do Estado protestam contra a diminuição da hora-atividade da categoria. A resolução do governo estadual alterou a distribuição das aulas, foi derrubada por uma decisão liminar, e agora retomada na noite dessa quarta-feira, após decisão do desembargador Renato Braga Bettega, presidente do Tribunal de Justiça. “Na prática a liminar continua valendo, mas o governo ganhou o direito de não cumprir até o julgamento do mérito da ação”, diz a APP-Sindicato, em nota.

Caravanas de professores vindas de todas as partes do estado devem reforçar a mobilização. A concentração será na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, a partir das 9 horas.

A secretária de Estado da Educação, Ana Seres Comin, afirma que o governo pretende descontar dos salários os dias parados. “Prejudica mais de um milhão de alunos da rede pública estadual e suas famílias. As últimas paralisações deixaram prejuízos próximos a cem milhões de reais, em contratações de temporários para reposição, merenda estragada e transporte escolar fora do período letivo tradicional”, diz a nota do governo do Estado.

Ônibus de Curitiba 

Motoristas e cobradores do transporte público de Curitiba devem paralisar atividades no próximo dia 15 de março, como parte da mobilização contra as reformas da previdência e trabalhista, mas também há um indicativo de greve por tempo indeterminado relacionada à campanha salaria.

O indicativo foi aprovado no mês passado. A proposta feita pelas empresas, por enquanto, é de 5% de reajuste. Os trabalhadores pedem 15%, além de equiparação de benefícios aos funcionários da Urbs.

Por isso, no início da semana que vem, o sindicato deve decidir a data de início da greve geral relacionada à campanha salarial. O Sindimoc garante que vai comunicar a sociedade com 72 horas de antecedência.

Bancos, policiais e outras categorias

Bancários, policiais, trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba (professores universitários) e metalúrgicos devem participar da mobilização nacional do dia 15, com paralisação parcial, mas sem greve. Os bancários ainda farão uma assembleia na segunda-feira, dia 13, às 18h.

O protesto da categoria é contra as reformas e “em defesa dos bancos públicos”. Não deve haver greve, mas a assembleia propõe que parte das agências seja fechada por meio período no dia 15.

Os policiais civis do Paraná decidiram em assembleia na noite dessa quarta por apoiar as decisões da União dos Políciais do Brasil, que reúne também agentes penitenciários.

Sem paralisação, as categorias de segurança pública devem realizar atos em frente a assembleias legislativas pelo país. A pauta geral é a retirada da reforma da previdência.