Presos da Lava Jato e Carne Fraca no PR ficam sem visitas e banho de sol

Foto: Bruna Valle
Foto: Bruna Valle

O horário de visitas de familiares de presos nas operações Lava Jato e Carne Fraca, no Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, foi alterado nesta sexta-feira (19), pelo Departamento Penitenciário do Paraná, e os visitantes avisados com antecedência para evitar que fossem impedidos de entrar na unidade.

> No aniversário, filha de Eduardo Cunha é barrada em visita ao pai na penitenciária

Nesta sexta, dia da semana em que os detentos das galerias 5 e 6 recebem visitas, um protesto de agentes penitenciários bloqueia a entrada de familiares dos 16 presos da Lava Jato e dos dez da Carne Fraca no CMP, desde o início da manhã, para chamar atenção à causa da categoria contrária à PEC 287, da reforma da Previdência.

Entre os detentos da Galeria 6, estão os ex-deputados Eduardo Cunha e André Vargas, o lobista João Augusto Henriques, ex-tesoureiro do PT João Vaccari, ex-senador Gim Argello, e o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada.

Normalmente, as visitas aos presos da 6ª Galeria do CMP são realizadas às 9 horas. A intenção dos agentes de promover o protesto foi comunicada ao Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), que alterou o horário para às 13h. Como os manifestantes aguardam apoio de agentes de outros estados e pretendem ficar por mais tempo, a alteração de horário não foi suficiente para garantir as visitas, previstas na Lei de Execuções Penais.

De acordo com o diretor-geral do Depen, Luiz Alberto Cartaxo Moura, os familiares foram avisados e as visitas devem ser repostas.

“Foi avisado que seria feito dessa forma. Eles (agentes) fizeram isso para chamar mais atenção. Isso (a mudança de horários) está dentro do que foi comunicado ao Depen. Todas as visitas que foram perdidas – as de hoje, sábado e domingo – que serão perdidas serão repostas a partir de terça-feira. Vai ter que ser reposto”, garante.

CMP-1

Por enquanto, somente os presos das galerias 5 e 6 tiveram as visitas prejudicas. Nelas também estão dez presos da Operação Carne Fraca, além de servidores públicos como policiais que cometeram crimes e que, por segurança, não podem se relacionar com presos comuns.

A esposa de um ex-fiscal do Ministério da Agricultura, que está no Complexo preso desde abril, demonstrou revolta com o bloqueio. Ela argumentou que mora em Londrina, Norte do Paraná, e que não via o marido há 15 dias. Essa seria a terceira visita dela desde que o fiscal foi preso. Outros familiares desavisados também se revoltaram. “A sociedade não apoia isso, os presos tem direito”, reclamou uma idosa.

Nos próximos três dias, enquanto agentes penitenciários do Paraná devem manter uma paralisação, os presos do Complexo Penitenciário do Paraná devem ter garantidos apenas os serviços de entrega de comida, alvará de soltura e encaminhamento médico.

As saídas para banho de sol nos pátios, visitas, assistência social, psicológica e jurídica, aulas na escola e outros ficam comprometidos pelo menos até terça-feira (22).

Por lei, o acesso a advogados é garantido, mas por causa das dificuldades de acesso provocada pelas manifestações é esperado que alguns remarquem as visitas nesses dias.

“Vamos ficar aqui e impedir qualquer visita que chegue aqui hoje. É uma mobilização que visa justamente evitar essas visitas (dos presos famosos), chamar atenção para mostrar aos políticos como os agentes estão mobilizados e como os trabalhadores desse sistema estão trabalhando nessas condições que estão todos os presídios do Brasil. “, declarou a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, Petruska Skerkoski.

Protesto de agentes penitenciários

Pelo menos quatro estados já confirmaram greves ou operações padrão de agentes penitenciários em todo o país. No Mato Grosso do Sul, Alagoas, SP e no Complexo de Bangu no rio de Janeiro, servidores protestam esta sexta e sábado. No Paraná, a categoria aprovou três dias de greve, em 20, 21 e 22 de maio.

Desde que o texto da PEC 287 foi apresentado pelo governo Temer, os sindicatos de agentes penitenciários de todo o Brasil têm feito uma maratona em Brasília para que a categoria siga tendo direito a uma aposentadoria diferenciada em decorrência da periculosidade da profissão.

“O governo brincou conosco, ignorou nossas especificidades e, agora, está tentando nos usar como moeda de troca para conseguir apoios em favor da reforma. Não vamos aceitar. Nossa luta é contra a íntegra da PEC 287, que prejudica todos os trabalhadores brasileiros”, resume o vice-presidente do Sindarspen, José Roberto Neves, que também é dirigente da Federação Brasileira dos Servidores Penitenciários (Febrasp).

No Paraná, os agentes ainda lutam pela regulamentação da aposentadoria especial, que até hoje não foi feita pelo governo do estado. Se aprovada a PEC 287, a possibilidade desse direito se extingue.

A paralisação foi comunicando oficialmente para o Departamento Penitenciário do Paraná, Secretaria de Segurança Pública, Casa Civil e Tribunal de Justiça do Estado.