Próximo da data-base, crise no transporte não tem fim

Ônibus de Curitiba
Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

Curitiba amanheceu ontem com um nova greve parcial do transporte coletivo. Funcionários de três das 11 empresas que operam na capital não haviam recebido o salário de dezembro.

Duas delas, a São José Filial e CCD não rodaram durante a manhã e mais de 60 linhas foram afetadas, principalmente alimentadores do eixo Boqueirão (entre as ruas Francisco Derosso e Canal Belém) e do Leste (Avenida das Torres até imediações do Detran-PR).

A situação na CCD foi resolvida na hora do almoço, quando os trabalhadores aceitaram receber 80% do salário ontem e os 20% restantes hoje. Já na São José Filial as linhas só voltaram a rodar depois das 16h, quando os funcionários toparam receber 35% do salá- rio ontem e 25% hoje – os outros 40% foram pagos em dia.

Ao todo, cerca de dois mil funcionários das duas empresas e também da Tamandaré Filial participaram de reuniões na madrugada e amanheceram mobilizados. A Tamandaré não paralisou os serviços ontem, mas os trabalhadores sem salário abriram indicativo de greve de 72h e vão parar caso não recebam até lá.

As greves de ônibus na capital são mais do que recorrentes – a última paralisação tinha ocorrido na véspera de Natal. Desta vez, ao contrário de dezembro, a Urbs estava com os repasses em dia.

Em nota, o Setransp (Sindicato da Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana) argumentou que o problema é resultado de um desequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão, pois a projeção de passageiros não se realiza e dessa forma o sistema não se paga.

Segundo as empresas, desde 2012 os números projetados nunca se cumpriram. Só na última projeção, considerando dados de mar- ço a dezembro do ano passado foram 12,4 milhões de passageiros a menos, uma perda de cerca de R$ 45 milhões. O Setransp espera que na revisão da tarifa técnica em fevereiro, seja feita uma ‘projeção realista’ – o que acarretaria em uma passagem mais cara.

Em nota, a Urbs informou que as empresas do transporte coletivo são remuneradas de acordo com o que determina o contrato, constando riscos assumidos, e que cobrará providências do Consórcio Pioneiro, do qual São José Filial e CCD fazem parte.

Aumento à vista

No mês que vem também entra a nova data-base de motoristas e cobradores e, junto com ela, um praticamente inevitável aumento da tarifa aos usuários, hoje de R$ 3,70, já que os salários representam nada menos que a metade do custo da tarifa. Nenhuma pauta de reivindicações foi entregue aos patrões, mas a pedida vai exigir no mínimo a reposição da inflação dos últimos 12 meses, atualmente em 7,39%.

“Há um esgotamento generalizado na categoria, uma revolta, uma indignação. Os atrasos salariais já ocorrem há anos e até agora nenhuma autoridade foi capaz de dar um basta nisso”, disse o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira. Ele protocolou um ofício pedindo ao uma audiência com o prefeito Rafael Greca (PMN) para tratar do problema.