Religião vira arma no desafogo à Justiça

Foto: Divulgação/TJ-PR
Foto: Divulgação/TJ-PR
Por Thiago Machado do Metro Curitiba

Em uma parceria do TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) com a Igreja Evangélica Ágape Church, foi aberto na semana passada o primeiro Espaço Pacificar de Curitiba, dentro da sede da instituição religiosa, no Xaxim.

A cerimônia de abertura marcou o início da terceira fase do projeto “Pacificar é Divino”, em que está prevista a inauguração de mais três espaços em igrejas de Curitiba.

O projeto, que já treinou 50 líderes religiosos em técnicas de conciliação, é um tentativa do Judiciário para tentar evitar a abertura de processos que poderiam ser resolvidos com o simples diálogo entre as partes. “Nós temos muitas demandas que não deveriam estar na Justiça. Na conciliação, as pessoas acabam resolvendo seus problemas de um forma mais pacífica e de forma mais vantajosa, inclusive, do que conseguiriam por uma decisão judicial”, explica a assessora da 2º vice-presidência do TJ, Stela Stafin.

A participação das igrejas é totalmente voluntária e, na avaliação de Stela, a receptividade vem sendo boa. Em maio um encontro no TJ com a Coordenadora do Projeto, a desembargadora Lidia Maejima, reuniu 200 pessoas.

Já estão confirmadas as aberturas de mais três espaços Pacificar – além da Ágape, uma igreja evangé- lica, uma católica, e uma de matriz afrodescendente preparam seus locais. Também participaram dos encontros, e foram treinados, líderes espíritas, representantes das igrejas Batistas, entre outras.

Exemplos

O projeto foi baseado em experiências de parcerias bem sucedidas dos judiciários com religiosos no Goiás, Distrito Federal e Acre. A conciliação mediada por líderes religiosos pode resolver problemas de relações de consumo (quando uma prestação de serviço não é feita ou é insatisfatória), em acidentes de trânsitos ou conflitos familiares, por exemplo.

“Através dos nossos instrutores nós já estamos recebendo as principais demandas da comunidade. Há muita experiência com problemas no âmbito da familiar – no atendimento a casais, de filhos com problemas com drogas. A gente quer ampliar a capacitação para resolver outros tipos de problemas também”, diz Stela.

Como referência para o atendimento, estão sendo tomados como exemplos, os Centros de Solução de Conflitos e Cidadania de Curitiba, que já atuam na solução de conflitos de forma extra-judicial.