Sete dias após furacão, avião da FAB pousa em ilha para resgatar brasileiros

Grupo conseguiu integrar programas de resgate de companhias aéreas. Foto: Regiane Schwartz / colaboração
Grupo conseguiu integrar programas de resgate de companhias aéreas. Foto: Regiane Schwartz / colaboração

Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), enviado para resgatar brasileiros afetados pelos furacões Irma e José, no Caribe, pousou nesta terça-feira (12), por volta das 10h (horário de Brasília) em Saint Marteen, a 250 quilômetros  do arquipélago de Guadalupe. Um grupo de 13 brasileiros deve embarcar na aeronave. Outros 20 conseguiram integrar programas de resgate organizados por empresas aéreas e de turismo e já foram retirados da ilha.

Entre eles, os três mais recentes saíram nessa segunda-feira (11), após conseguiram integrar uma lista de pessoas beneficiadas por uma iniciativa voluntária da companhia aérea Copa Airlines, que levou resgatados paro o continente, na Guiana Francesa e Panamá. De lá, os turistas resgatados devem seguir por conta própria para diversos destinos.

“Fomos comunicados mas não tínhamos mais como permanecer na ilha. Os hotéis não tinham mais diesel para o gerador. A ilha está às escuras. Muito assalto, insegurança total. Sem comida, sem água, sem luz, sem comunicação, sem condições de higiene. Estávamos utilizando a água do mar”, contou ao Paraná Portal Regiane Schuartz, uma das três pessoas que conseguiram sair na segunda, com a Copa Airlines.

O furacão José passou pela ilha de Saint Marteen no fim de semana. Antes disso, o furacão Irma já havia destruído boa parte da ilha.

O grupo de brasileiros resgatado nesta terça-feira (12) ficou seis dias confinado em dois hotéis, sem abastecimento de água e comida. O grupo reclamou da demora da ação do governo brasileiro.

Enquanto os norte-americanos foram resgatados na quinta-feira (7) passada, antes da passagem do Furacão José, os brasileiros tiveram que esperar mais quatro dias até que conseguissem sair.

A ilha, dividida entre administração francesa e holandesa, está sem transporte, energia e comunicação. Militares estão nas ruas para impedir saques e outros crimes.

A ilha de Saint Maarten foi uma das mais atingidas pelo Furacão Irma e, segundo o Itamaraty, havia 32 brasileiros até o último domingo – sendo 30 em Saint Maarten (lado holandês da ilha) e dois em Saint Martin (lado francês).

Lista de brasileiros resgatados pela FAB nesta terça-feira (12) em Saint Marteen:

1 – Felipe Lirio
2 – Helton Laufer
3 – Jeferson Teixeira
4 – Karen Laufer
5 – Kristie Costa
6 – Logan Costa
7 – Luciana Lima
8 – Mário César Lima Góes
9 – Neusa do Carmo da Costa
10 – Peterson Teixeira
11 – Ricardo Passareli
12 – Rômulo Gomes
13 – Tais Costa

Outras ilhas 

O governo brasileiro também identificou que há mais 22 brasileiros na Ilha de Tortola e 11 em Turcas e Caicos, que são territórios britânicos. No entanto, o aeroporto de Tortola não tem condições de aterrissagem após a passagem do Irma.

Por isso, o Ministério de Relações Exteriores brasileiro está em contato com França, Países Baixos e Reino Unido para “averiguar se estaria sendo elaborado plano de socorro e evacuação dos nacionais nas respectivas ilhas, no intuito de verificar a possibilidade de inclusão de brasileiros naquelas operações”. “Com efeito, alguns brasileiros, que se encontravam em regiões determinadas, já receberam apoio ou lograram ser retirados das ilhas graças à cooperação daqueles países”, informa o Itamaraty.

As três ilhas não têm rede de atendimento consular brasileiro, por isso, as tratativas estão sendo feitas pelas embaixadas na Europa. Apesar disso, o Itamaraty informou que montou um núcleo de atendimento emergencial em Brasília e uma rede de comunicação em tempo real com os postos consulares nestes países para reunir as informações sobre brasileiros afetados pela catástrofe.

“Até o momento, o núcleo de atendimento e os postos no exterior já receberam centenas de ligações e mensagens de brasileiros que se encontram nas regiões afetadas e de seus familiares e amigos. Graças a esta rede de contatos, vêm sendo superadas as dificuldades de comunicação causadas pela interrupção das linhas em algumas regiões e, sobretudo, pela inexistência de postos da rede consular brasileira, de carreira ou honorários, nas três ilhas”, acrescenta a nota.

Danos e mortes

Ainda de acordo com as informações do Itamaraty, as três ilhas sofreram “colapso total ou parcial da infraestrutura de transportes, comunicações e abastecimento”.

Em sua passagem pelo Caribe, o Furacão Irma deixou pelo menos 25 mortos, além de mais três em sua chegada à Flórida neste domingo. No entanto, as perdas humanas podem ser maiores, uma vez que os países atingidos estão em grande parte sem comunicação, o que pode ter provocado a subnotificação das mortes.

Antes de chegar aos Estados Unidos e perder força, o Irma passou por Cuba no domingo deixando inundações severas em Havana e Varadero, informou a Agência EFE. Ainda segundo a EFE, em Porto Rico, onde o furacão passou há três dias, 66% do serviço de fornecimento de energia já foi restabelecido.