STF julga júri popular de Carli Filho nesta quinta-feira

carli filho
Por Francielly Azevedo

O pleno do Supremo Tribunal Federal deve analisar, nesta quinta-feira (11), o mérito do habeas corpus movido pela defesa do ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho. A ação foi apresentada contra a decisão da Justiça do Paraná que determinou que o ex-parlamentar seja submetido a juri popular. Ele é acusado de duplo homicídio no acidente que vitimou dois jovens, em maio de 2009, em Curitiba.

O ministro Gilmar Mendes, relator do caso, concluiu seu parecer e encaminhou para que seja apreciado pelo plenário da corte. Os ministros vão avaliar uma decisão liminar dada pelo ministro Ricardo Lewandowski, que impediu o julgamento popular, que havia sido marcado para janeiro do ano passado.

Carli Filho foi denunciado por duplo homicídio com dolo eventual por, pelo entendimento do Ministério Público, ao dirigir embriagado (com 7,8 decigramas por litro de sangue) e em alta velocidade (a perícia indicou que seu carro estava a 163 km/h em uma via cuja velocidade máxima é de 60 km/h) o então deputado assumiu o risco de matar. A defesa sustenta a tese de crime de trânsito ou homicídio culposo.

Caso o STF derrube a liminar, o juri pode ser novamente marcado. A expectativa do advogado Elias Mattar Assad, que atua como assistente de acusação em defesa dos interesses da família de uma das vítimas, Gilmar Rafael Yared, é de que, com decisão do Supremo cassando a liminar, o julgamento ocorra ainda neste ano.

“Este caso é o caso do incomum. Essa tese de dolo eventual na condução de veículo nasceu em Curitiba. Esse caso, Yared versus Carli Filho, poderia colocar tudo a perder. Curitiba poderia ser o berço dessa tese e a coveira dessa tese. Uma coisa é certa: todas as instâncias confirmaram que trata-se de duplo homicídio doloso eventual e de que isso deve ser discutido no tribunal do júri”, afirma Mattar Assad. “A nossa esperança é que nesse ano ainda tenhamos o julgamento pautado aqui em Curitiba”, declarou o advogado.

Por outro lado, a defesa de Carli Filho espera que seja considerado o recurso que alega que não houve um crime intencional. Sendo assim, não haveria condição para júri popular. O advogado Gustavo Scandelari insiste em argumentar que as vítimas erraram, ao invadir a via preferencial.

“Suponha que o Luiz Fernando estivesse em um motocicleta, ainda que acima do limite de velocidade, e que a colisão tivesse ocorrido da mesma forma mas só ele tivesse falecido. É claro que o sobrevivente, o condutor do outro veículo, seria submetido a uma investigação criminal e muito provavelmente seria acusado de homicídio por ter invadido a preferencial”, declarou a defesa. “Esse cenário hipotético nos permite concluir que houve duas irresponsabilidades nesse caso: a do Luiz Fernando, por estar acima do limite de velocidade, e a do outro condutor que desrespeitou a preferencial e se colocou na frente do outro veículo”, afirmou Scandelari.

Nesses oito anos, com recursos na justiça, a defesa de Carli Filho já conseguiu impedir duas vezes a realização do júri popular.

O caso

Na madrugada de 7 de maio de 2009, dirigindo sob efeito de álcool (como indicaram os exames médicos) e em velocidade superior ao dobro da máxima permitida na via (conforme perícia criminal), o então deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho causou um acidente de carro que matou Gilmar Rafael de Souza Yared e de Carlos Murilo de Almeida.

Após conclusão do Inquérito Policial pela Delegacia de Trânsito, o Ministério Público, em 26/8/2009, ofereceu denúncia criminal contra Carli Filho por duplo homicídio doloso eventual perante a Segunda Vara do Júri de Curitiba que, depois de várias audiências, entendeu por mandar o caso a julgamento popular, confirmando a denúncia e proferindo sentença de pronúncia em 17/1/2011.

A defesa de Carli Filho recorreu para o TJ-PR que em data de 16/6/2011 manteve, por unanimidade de votos, o entendimento de que se tratava de duplo homicídio doloso eventual, confirmando remessa do caso para julgamento pelo júri.

A partir da decisão do TJ-PR, a defesa do acusado remeteu o caso para cortes superiores em Brasília onde conseguiu suspender por duas vezes o julgamento pelo júri. O primeiro, marcado para o dia 26 de março de 2013 e o segundo para os dias 21 e 22 de janeiro de 2016, neste por liminar do STF, sob a alegação de que a defesa “ainda tinha recursos pendentes em Brasília”.

Não aceitando os argumentos da defesa, o STJ, em 21 de fevereiro de 2017, deu sua palavra final confirmando a remessa do caso para julgamento pelo júri. Esta decisão transitou em julgado em 9/3/2017, não admitindo mais qualquer discussão no STJ.