USP confirma tremor de terra no Paraná e estuda causas

Imagem: USP
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Mariana Ohde e Narley Resende 

Tremores de terra, considerados fortes pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), foram registrados na madrugada desta segunda-feira (18) em cidades da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Também há relatos de moradores da região Norte do Paraná sobre outros pontos no Estado.

A cidade de Itaperuçu (RMC) teve registro de tremores de magnitude de 3.5 a 4.0 graus na escala Richter. Moradores da cidade vizinha, Rio Branco do Sul, a 30 quilômetros de Curitiba, também relataram tremores. Todos os registros acontecerem entre 0h e 0h30 desta segunda-feira.

O tremor em Itaperuçu foi considerado um “tremor notório” pelo Centro de Sismologia, ou seja, pode ser sentido, mas não causa maiores danos.

Apesar da força dos tremores, nenhum atendimento foi registrado ainda, segundo o Corpo de Bombeiros. A Defesa Civil também não registrou feridos ou danos.

Revisão dos dados

Em uma medição automática do sistema da USP, o primeiro registro de tremor chegou a marcar 4,5 graus de magnitude e 51 km de profundidade. De acordo como professor Marcelo Bianchi, do Centro de Sismologia da USP, após uma revisão dos técnicos do Centro, no início da manhã, o registro caiu para 3.5 a 4.0 graus.

“Foi detectado automaticamente pelo sistema (durante a madrugada). As pessoas normalmente não reparam, mas no sistema tem um aviso ou um “M”, em vermelho ou verde, e quando está o “A” quer dizer que é automático. O sistema detecta, ele está dizendo que é automático, um robozinho. Quando a gente chegou de manhã, a gente começou a revisar os eventos. Eram dois eventos, a gente revisou e aparentemente só tem um. A magnitude dele está perto de 3.5 a 4.0″, explica.

Segundo o especialista, os tremores notórios não são comuns na região. “No Brasil inteiro a ocorrência de tremores é mais rara. Não acontecem tão rotineiramente como no Chile ou no Japão. Acaba acontecendo de uma forma mais esparsa: acontece ali, depois, em seis meses, acontece em outro lugar”, afirma Bianchi.

Explicação

A primeira explicação para os tremores no Paraná é de que houve “liberação dos esforços intraplacas”. Apesar disso, os técnicos ainda vão estudar os casos e acompanhar outros relatos espalhados pelo Estado.

“A explicação por enquanto ela é ainda mais geral, que é simplesmente liberação dos esforços intraplacas. Porque não tem nenhuma borda de placa, nada. Mas em todas as regiões do mundo elas são tencionadas o tempo inteiro e de vez em quando algumas acabam se deslocando, gerando esses abalos. É difícil até pra gente poder explicar, ainda mais num tempo curto que nem esse”.

Sentiu aí?

O site do Centro de Sismologia da USP tem um espaço aberto, chamado “Sentiu aí?” para que as pessoas relatem suas experiências. O link permite que os moradores de regiões afetadas ajudem os técnicos no monitoramento.

“A gente recebeu centenas de relatos hoje lá da região de Curitiba. Essa informação (repassada pelas pessoas) é muito importante pra gente. Teve um relato de uma pessoa de uma cidade que chama Castro, no Interior do Paraná”, conta.

Segundo tremor descartado

O segundo tremor, inicialmente registrado pouco tempo depois em São Jerônimo da Serra, a 337 km de Curitiba, chegou a 5,1 graus de magnitude, com 10 km de profundidade, foi descartado após a revisão dos dados pelos técnicos da USP.

Registro revisado por técnicos da USP descartou tremor em São Jerônimo da Serra e confirmou registro em Itaperuçu.

Registro revisado por técnicos da USP descartou tremor em São Jerônimo da Serra e confirmou registro em Itaperuçu.

Primeiro registro, automático, mostrava tremor em São Jerônimo da Serra; Revisão descartou ocorrência nessa região.

Primeiro registro, automático, mostrava tremor em São Jerônimo da Serra; Revisão descartou ocorrência nessa região.