“Tiraram só os americanos, ficamos olhando eles saírem”, diz brasileira isolada por furacão

Foto: Regiane Schwartz
Foto: Regiane Schwartz

Militares do lado holandês da ilha de São Martinho (Sint Maarten), a 250 quilômetros  do arquipélago de Guadalupe, no Caribe, começaram a retirar turistas isolados em hotéis após a passagem do Furacão Irma na última quarta-feira (6). Um grupo de 16 brasileiros se uniu para tentar integrar a lista de pessoas retiradas.

“Acaba de pousar um avião aqui na ilha. Estão fazendo lista para tirar as pessoas daqui, mas a preferência são os americanos”, escreveu na madrugada deste sábado (9) a paulistana Regiane Schwartz, de 51 anos. Ela enviou mensagens de Whatsapp ao irmão Alexandre Schuartz, que mora em Curitiba.

“Isto aqui tá virando um campo de guerra. As pessoas brigando para colocar o nome na lista”, relata.

“Os americanos já foram retirados da ilha. Nesta madrugada. Tiraram só os americanos. Ficamos olhando eles saírem”, escreveu Regiane em um dos momentos em que teve o sinal de internet restabelecido.

Além dela, um grupo de aos menos 11 brasileiros, sendo três crianças, estão hospedados no hotel Royal Palm Beach Resorts, que sofreu diversos danos e já não tem estoque de comida e água, em uma das ilhas mais afetadas pelo furacão Irma, de magnitude 5 – maior na escala de medição. Conforme a própria Regiane, outros cinco brasileiros estão no hotel Atrium.

Em nota enviada na sexta-feira (8), o Ministério das Relações Exteriores informou que faz o possível para atender os brasileiros isolados em ilhas do Caribe, após a passagem do Furacão Irma e da previsão de chegada do Furacão José.

“Informamos que o Consulado do Brasil em Caiena está cuidando do caso e prestando toda a assistência possível aos brasileiros”, diz o Itamaraty em nota.

Furacão José

A maior preocupação é a chegada do furacão José, prevista para este domingo (10). O José se fortaleceu nesta sexta-feira (8) para a categoria 4 – a máxima é a 5 -, depois que seus ventos atingiram 240 km/h nas águas do Atlântico, enquanto se dirige para as Pequenas Antilhas, informou o Centro Nacional de Furacões (CNH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

Em um boletim especial, o órgão informou que este ciclone, o terceiro ativo neste momento no Atlântico, junto com Irma e Katia, já é “extremamente perigoso”.

Tropas brasileiras no Haiti permaneceram em Minushtah, em razão da passagem pelo norte do país do furacão Irma. A retirada das tropas foi prorrogada para o dia 17 de setembro. A missão encerrou oficialmente suas patrulhas militares em 30 de agosto passado e estão, no momento, em preparação para a desativação completa da missão até 15 de outubro.

“Diante da gravidade e a excepcionalidade da situação, bem como do histórico de cooperação diante de desastres naturais no Haiti, parte do contingente brasileiro foi deslocado preventivamente para a região que se encontra na rota do furacão, de forma a minimizar seu impacto por meio de orientação à população e prestação de ajuda humanitária imediata”, informou o Itamaraty sobre o Haiti.

Reprodução/NHC

Reprodução/NHC

Furacão Irma 

O furacão Irma continua perdendo força hoje (9), após ter atingido, na noite de ontem (8) a costa norte de Cuba. Embora já enfraquecido, o furacão ainda é enquadrado na categoria 4, já que seus ventos passaram, nas últimas horas, de 250 para 215 quilômetros por hora, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos. As informações são da Agência EFE.

Às 8h (horário local, 9h de Brasília), o olho do furacão estava 135 quilômetros ao leste de Caibarién, em Cuba, e 440 ao sul-sudeste de Miami, e avançava a uma velocidade 19 quilômetros por hora na direção oeste.

Segundo o último boletim do NHC, com sede em Miami, Irma pode girar para a direção noroeste no final do dia de hoje.

Desta forma, o olho do furacão chegaria às ilhotas da Flórida no domingo de manhã e depois à costa sudoeste da península, no domingo à tarde. As autoridades do estado americano ordenaram ontem a saída de 5,6 milhões de pessoas da região. O governo local pediu que todos os colégios e universidades públicas utilizem sua estrutura para abrigar a população.

O Ministério de Situações de Emergência da Rússia ofereceu ajuda aos países caribenhos afetados pelo furacão.

Irma, o furacão mais poderoso já registrado no Atlântico, deixou pelo menos 18 mortos em sua passagem pelas Pequenas Antilhas e Porto Rico e destruiu a ilha de Barbuda e a parte francesa de Saint Martin.

Furacão Kátia 

O furacão Katia, que atingiu o México na noite de ontem (8) como furacão de categoria 1, avançando para o interior do país em direção ao sudoeste, teve sua classificação transformada de furacão em tempestade tropical com ventos de até 70 km/h. As informações são da Agência EFE.

O Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos prevê que o furacão sofra um enfraquecimento rápido até a sua dissipação, ainda hoje.

Por volta da 1h (horário local, 3h de Brasília), o Katia avançava para o interior do México em direção ao sudoeste e o seu olho estava situado 175 quilômetros ao noroeste de Veracruz e 220 quilômetros ao sudeste de Tampico. Os ventos provocados pelo Katia chegaram a atingir 155 quilômetros por hora.