Tráfico e contrabando eram abastecidos por esquema da Operação Hammer-on

Andreza Rossini

O delegado da Receita Federal Jackson Cerqueira Filho afirmou em entrevista coletiva nesta terça-feira (15) que o esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, investigado pela Operação Hammer-on, era utilizado para abastecer o tráfico de drogas e o contrabando.

Um grupo criminoso se especializou em transferir dinheiro de criminosos brasileiros para criminosos paraguaios. “Toda saída de dinheiro do Brasil para o exterior em valores acima de R$ 10 mil precisam ser declarados para a Receita Federal. Como essas pessoas não tem interesse em fazer a declaração do Imposto de Renda, elas pedem – em outras palavras – para a casa de câmbio transferir o dinheiro para contas de familiares”, afirmou.

Postos de combustíveis, casas de câmbio e empresas importadoras não autorizadas participavam do esquema. Ainda de acordo com o delegado, os criminosos evitavam a movimentação de dinheiro vivo, utilizando as casas de câmbio e as empresas envolvidas para transferir o dinheiro entre os criminosos.

A ação da Polícia e Receita Federal foi deflagrada nesta manhã com o objetivo de cumprir 153 mandados em cinco estados, inclusive o Paraná. Até o momento, 19 pessoas foram presas.


A Operação Hammer-on, como foi chamada, mira empresas controladas pela organização criminosa investigada, que teriam movimentado mais de R$ 5,7 bilhões entre 2012 a 2016, as contas bancárias tiveram o sigilo quebrado. O grupo criminoso era formado por cinco núcleos, que usavam contas bancárias de várias empresas, geralmente fantasmas, para receber valores de pessoas físicas e jurídicas interessadas em adquirir mercadorias, drogas e cigarros. A maioria dos produtos vinha do Paraguai.

Depois de creditado na conta das empresas controladas pela organização, o dinheiro era enviado para o exterior de duas formas: usando o sistema internacional de compensação paralelo, sem registro nos órgãos oficiais, mais conhecido como operações dólar-cabo; ou por ordens de pagamento internacionais emitidas por algumas instituições financeiras brasileiras. As ordens de pagamento eram realizadas com base em contratos de câmbio fraudulentos.

A Hammer-on é um desdobramento das operações Sustenido e Bemol, de 2014 e 2015.

Post anteriorPróximo post
Comentários de Facebook