Aplicativo ajuda empresas a contratar pessoas com deficiência

Foto: divulgação
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Redação com Sesi 

Com o objetivo de avaliar as estruturas e sugerir alterações nos espaços de empresas que contratam pessoas com deficiência, o Sesi no Paraná oferece uma consultoria para organizações que desejam investir em acessibilidade. Para isso, foi criado o aplicativo Indústria Acessível, uma plataforma digital, que permite que a análise realizada pela consultoria nas empresas seja automaticamente enviada para um banco de dados online, que contribui no diagnóstico final. Antes do aplicativo, as informações analisadas em campo, precisavam ser transcritas e posteriormente analisadas. Com o aplicativo, a consultoria estima que o tempo para as avaliações seja reduzido em 50%.

“O aplicativo nos permite trabalhar até mesmo de maneira offline e como ele está sincronizado com uma plataforma na web, os dados são enviados e não há risco de perder as observações”, explica o engenheiro de Segurança do Sesi, Felyppe Blum. Além do engenheiro de Segurança, a consultoria conta com a participação de um médico do Trabalho, um ergonomista, um psicólogo e um advogado, que também realizam capacitações de conscientização com os departamentos de Recursos Humanos, gerências e líderes de equipes.

A legislação brasileira prevê que empresas com mais de cem funcionários no quadro funcional contratem pessoas com deficiência para compor as equipes, respeitando a porcentagem determinada conforme o número de funcionários. Além disso, desde que o Estatuto da Pessoa com Deficiência foi implantado, pela Lei 13.146 de 2015, fica assegurado às pessoas com deficiência o direito ao trabalho e às condições apropriadas em seus ambientes. A fiscalização é feita pelo Ministério Público (MP) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Nesse aspecto, além de propor adaptações dos ambientes físicos, a consultoria também analisa as possibilidades dos postos de trabalhos. “Com base no ambiente e nas características das funções desempenhadas naquele lugar, podemos indicar os tipos de deficiência que o espaço está adequado a receber, a fim de garantir a segurança e respeitar as habilidades e limites pessoais”, explica.

Como funciona

Quando uma empresa contrata a consultoria do Sesi, o trabalho começa no estacionamento da organização. “Todos os detalhes são analisados, desde a existência ou não de vagas para pessoas com deficiência, guias rebaixadas, altura do mobiliário e até mesmo se os carpetes, ou outros itens, não oferecem perigo tornando-se obstáculos”, detalha Blum. As avaliações são feitas com base na NBR 9050/2015 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estabelece as regras de acessibilidade em edifícios, mobiliários e espaços urbanos.

Segundo Felyppe Blum, a adequação dos espaços é uma preocupação também por parte de empresas menores que desejam oferecer ambientes acessíveis à todos. O que demonstra, por parte dessas empresas, a maturidade e o respeito às condições e limitações físicas do público de interesse. “Tornar o ambiente corporativo acessível causa uma boa impressão para o público interno e externo. Além disso, abre a oportunidade para talentos e profissionais que valorizam essa atenção dentro de uma empresa”, reforça.

O trabalho mais recente desenvolvido com o uso do aplicativo Indústria Acessível foi na unidade florestal da Klabin, empresa de papel e celulose do Paraná. A unidade, que tem mais de 3 mil colaboradores, já cumpre com a porcentagem prevista em lei para a inclusão de pessoas com deficiência no quadro de funcionários, mas planeja aumentar o número de vagas. “O trabalho da consultoria é minucioso e o retorno foi bem importante. A partir do diagnóstico, montamos um comitê na unidade para discutir a fase de reestruturação de alguns espaços. Além de cumprir com a lei contratando pessoas com deficiência, é importante apostar em melhorias estruturais para garantir a qualidade de trabalho e a permanência desses profissionais”, comenta a assistente social da unidade, Danielly Francine da Silva.