Com meio século de serviço na UFPR, doceiro terá festa de 90 anos

Foto: Marcos Solivan
Foto: Marcos Solivan

UFPR

José Alves Pereira, o Baiano, é uma figura quase lendária no Setor de Ciências Agrárias da UFPR. Ele começou a trabalhar no Setor em 1967, vendendo sorvetes e outras guloseimas.

Nesse tempo, fez amigos e conquistou a simpatia de estudantes, professores e técnicos administrativos que atuam no local.

Por isso, na próxima segunda-feira, dia 29, será feita uma comemoração para marcar o aniversário de 90 anos de Baiano e os 50 em que atua nas Agrárias.

A festa será a partir das 15 horas, em frente ao Restaurante Universitário (Rua dos Funcionários, 1540), incluindo a inauguração de uma placa comemorativa.

Baiano já foi homenageado em diversas formaturas ao longo desses anos, na maioria das vezes como “Amigo da Turma”. Tantas que até perdeu a conta.

“Tenho mais de 30 quadros e homenagens em casa”, diz ele.  Ganhou também uma biografia, lançada pela editora Artesão de Memórias, intitulado “São Baiano das Agrárias – Memórias de José Alves Pereira”.

O livro foi financiado com a ajuda de ex-alunos do Setor. Baiano também foi agraciado com o título de Engenheiro Agrônomo Honorário pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná, em 2015.

Biografia que o próprio Baiano comercializa (foto SM)

Biografia que o próprio Baiano comercializa 

Todos os dias, das 9 às 16h, de segunda a sexta-feira, Baiano (que na verdade é cearense, nascido na cidade de Crato) marca presença em frente ao diretório acadêmico de Agronomia da UFPR. Vende doces de todo tipo e conversa com alunos e professores. “Isso aqui é uma família”, diz ele.

O uniforme, uma camisa com a logomarca da UFPR, foi presente do professor Wilson Loureiro, que também criou o “santinho” do São Baiano das Agrárias. No impresso, a foto do Baiano e a frase “Protetor, conselheiro e desatador dos nós dos estudantes de Agrárias da UFPR”. O folheto sugere comer um docinho do Baiano por nove dias seguidos para passar nas disciplinas mais difíceis. A brincadeira é antiga, do tempo do Orkut, mas ainda vale.

Baiano chegou ao Paraná em 1952, primeiramente morando em Paranavaí, e logo em seguida veio para a capital. Em Curitiba, começou a trabalhar vendendo sorvetes. “Mas isso aqui era um freezer, não vendia nada”, lembra ele.

Em 1967, por acaso, acabou entrando no campus do Setor de Ciências Agrárias e viu boas possibilidades de vendas. Foi ficando e ganhou o apelido e a simpatia da comunidade. Algum tempo depois, trocou os sorvetes pelo carrinho ambulante que ganhou de um grupo de alunos de Agronomia. “Era pra ser pipoca, mas eu vi que com doces venderia mais”, explica.

Aos 90 anos, ele diz que vai continuar trabalhando enquanto tiver saúde. Baiano teve cinco filhos, quatro deles vivos, e cinco netos. A esposa faleceu em fevereiro e uma filha mora nos Estados Unidos há 27 anos. Os outros são esperados para a festa de segunda-feira, mais uma homenagem para o “Baiano das Agrárias”.

São tantas homenagens de turmas que ele já perdeu a conta (foto Marcos Solivan)

São tantas homenagens de turmas que ele já perdeu a conta (foto Marcos Solivan)