Falta de recursos levou PF a deflagrar duas fases da Lava Jato no mesmo dia

Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal
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Mariana Ohde, Andreza Rossini com Fernando Garcel

A realização de duas fases da Operação Lava Jato simultaneamente nesta sexta-feira (18) foi uma opção da Polícia Federal (PF) para economizar recursos “que não estão sobrando”, segundo o delegado Igor Romário de Paula. A declaração foi feita durante a coletiva das operações Sem Fronteiras e Abate.

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“Uma operação dessa tem um gasto considerável no orçamento, passagens, hospedagens e transporte de presos. Tivemos a coincidência de ter duas fases amadurecidas ao mesmo tempo. Sempre que possível vamos reduzir os custos”, disse Igor, que enfatizou que a Lava Jato não vai parar. “A Lava Jato não parou e não vai parar, nem aqui e nem em outro lugar do Brasil, mas as pessoas precisam ter calma e saber que a delação é apenas o primeiro passo para investigação”.

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Durante a coletiva de imprensa, o delegado afirmou que a PF trabalha na perspectiva de escassez de recursos financeiros e precisa fazer mais com menos. “Há recursos para fazer as duas fases mas foi uma opção usar o nosso efetivo para as duas operações- usar o pessoal uma vez só, não houve restrição orçamentária foi uma iniciativa nossa pensando nas outras fases”, declarou.

Recentemente, a PF teve sua força-tarefa, em Curitiba, encerrada e a PF perdeu 44% do orçamento de custeio previsto para 2017. Na capital paranaense, o contingenciamento foi de um terço das verbas. No final de maio, a equipe da Lava Jato já havia sido reduzida por decisão da direção-geral da PF. O número de delegados caiu de nove para seis. Eles precisavam dar conta de mais de 100 inquéritos que estão em andamento. Na ocasião, a própria força-tarefa admitiu que a redução no efetivo causava dificuldades operacionais e impedia a realização do trabalho de forma satisfatória. Houve também corte de verbas destinadas à operação.

Sem Fronteiras e Abate

Nas 43ª e 44ª fases deflagradas hoje – operações Sem Fronteiras e Abate – foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de condução coercitiva e 6 mandados de prisão temporária no Rio de Janeiro, Santos e São Paulo. Um dos alvos de mandado de prisão temporária é o ex-deputado federal Cândido Vaccarezza, ex-PT, que foi líder do governo de Dilma Rousseff.