PF prende Wesley Batista

Foto: Mateus Pereira / Secom
Foto: Mateus Pereira / Secom

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (13) a segunda fase da operação Tendão de Aquiles. Foi preso Wesley Batista, um dos donos da J&F e diretor-presidente da JBS. O irmão de Wesley, Joesley também é alvo de mandado de prisão, porém, ele já está preso desde domingo (10).

As ordens de prisão foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Eles vêm em decorrência de fatos investigados na Operação Tendão de Aquiles, que apura o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro entre abril e maio de 2017.

Na ocasião, foram divulgadas informações relacionadas a acordo de colaboração premiada firmado pelos irmãos e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Áudios tornados públicos envolveram o presidente Michel Temer, o deputado cassado Eduardo Cunha e outras lideranças, causando instabilidade política e econômica no país. Sabendo dos fatos que estavam por vir, as empresas teriam aproveitado o momento para obter ganhos no mercado financeiro.

Investigações

A primeira fase da operação foi deflagrada em 9 de junho, quando foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e quatro mandados de condução coercitiva.

A investigação apura dois eventos. O primeiro é a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS S/A na bolsa de valores, entre 24 de abril e 17 de maio, por sua controladora, a empresa FB Participações S/A e a compra dessas ações, em mercado, por parte da empresa JBS S/A, manipulando o mercado e fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha.

O segundo evento investigado é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS S/A, em desacordo com a movimentação usual da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17.

Após a deflagração da primeira fase da operação, com intensa cooperação institucional com a Comissão de Valores Mobiliários, policiais federais analisaram documentos, ouviram pessoas e realizaram perícias, trazendo aos autos elementos de prova que indicam o cometimento de crimes e apontam autoria aos dois dirigentes das mencionadas empresas.

Os investigados poderão ser responsabilizados pelo crime previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.