Publicitário acusado de operar propina pagou viagem para Bendine e filha

Atualizado em 10/10 às 00h27

O juiz federal Sérgio Moro ouviu, na manhã desta segunda-feira (9), o depoimento do agente de viagens Luis Henrique Moura Souza, o ex-executivo da Odebrecht Eduardo José Mortani Barbosa, e o taxista Marcelo Casimiro na ação penal que tem como réu o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine.

Na oitiva, o agente de viagens declarou ter feito reserva de passagens aéreas e de hospedagem em Nova Iorque para Bendine e a filha, Amanda Bendine, a mando do publicitário André Gustavo Vieira da Silva. De acordo com a linha de investigação da força-tarefa, o publicitário é responsável por operar e lavar dinheiro para o ex-presidente da Petrobras.

“Em nenhum momento eu falei com o senhor Aldemir Bendine ou com a dona Amanda Bendine. Quem me pediu esta reserva foi o André Gustavo Vieira da Silva, foi ele que me solicitou esta reserva”, declarou o agente de viagens. Ele também confirmou que o pagamento das reservas foi feito pelo publicitário.

O ex-executivo da Odebrecht, Eduardo José Mortani Barbosa, que aderiu aos termos de colaboração premiada da empreiteira, prestou depoimento sobre o esquema de pagamento de valores indevidos e o uso de codinomes. Sobre a relação com o publicitário, ele contou ter conhecido André Gustavo em uma reunião com a chefia imediata da Odebrecht.

O magistrado também ouviu o depoimento do taxista Marcelo Casimiro. Ele foi arrolado pelo MPF e afirmou ter recebido três encomendas a pedido do publicitário André Gustavo Vieira da Silva. Ele teria entrado em contradição durante a oitiva, se comparado ao depoimento feito à Polícia Federal (PF), e o procurador Athayde Ribeiro Costa chegou a levantar uma suspeita sobre a oitiva. “Há evidências claras que o depoente não está falando a verdade”, disse Costa ao encerrar as perguntas do Ministério Público Federal.

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Investigações 

O ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras foi preso no dia 27 de julho suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht. De acordo com a Polícia Federal, ele realizou pagamento de impostos sobre o valor da propina para dificultar as investigações.

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Em fevereiro de 2015, na véspera de assumir a Petrobras, Bendine teria pedido os valores para não prejudicar a Odebrecht em contratos com a estatal e também para “amenizar” os efeitos da Lava Jato. Naquele momento, a operação estava prestes a completar um ano. O valor foi repassado em três entregas em espécie, de R$ 1 milhão cada, em um apartamento em São Paulo, alugado por Antônio Carlos São Paulo.

Um dos argumentos que levaram o MPF a pedir a prisão preventiva de Bendine foi a compra de uma passagem só de ida para Portugal por parte do investigado.

 



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