“O custo da corrupção ficou bastante evidente”; Lava Jato mira Petroquisa

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A Polícia Federal (PF) deflagou, na manhã desta sexta-feira (20), uma operação para apurar um esquema de corrupção em contratos de subsidiárias da Petrobras com a empreiteira Odebrecht.

A ação mira a Petroquisa, braço petroquímico da estatal, em contratos relativos à aquisição do navio-sonda Vitória 10.000. São investigados também indícios relacionados à Petroquímica Suape e à Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), ambas ligadas à Petroquisa. Os pagamentos somam R$ 95 milhões, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

“Também no corpo executivo e subsidiárias eram destinadas vantagens indevidas, era praticada a corrupção em troca de favores”, ressaltou o procurador Roberson Henrique Pozzobon em coletiva de imprensa nesta manhã. Os valores indevidos investigados na ação eram repassados aos beneficiários por meio do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, que ficou conhecido como “setor de propina”.

Foram, ao todo, dez mandados cumpridos no Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE): quatro mandados de busca e apreensão e um de condução coercitiva. Há, ainda, um mandado de prisão temporária contra o engenheiro Djalma Rodrigues de Souza, Diretor de Novos Negócios da Petroquisa, que não foi detido. Ele foi operado ontem e a cirurgia exige repouso absoluto e cuidados médicos. Três intimações também foram cumpridas hoje.

De acordo com a PF, há indícios de que o grupo de gerentes da Petrobras se uniu para beneficiar o Grupo Odebrecht em contratações. A propina era paga por meio de empresas off-shores estabelecidas no exterior. Os crimes investigados nesta operação são associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.

Escalada de preços

Ainda segundo o procurador Roberson Henrique Pozzobon, a “escalada” dos valores da propina chama a atenção. Ele cita dois contratos com a Odebrecht: um deles, em 2008, com a Petroquímica Suape, para construção de uma planta industrial. O valor inicial era de R$ 1,19 bilhões. Após dois aditivos, de R$ 330 milhões e R$ 256 milhões, o valor subiu para cerca de R$ 1.9 bilhão.

O segundo contrato, com a Citepe, tinha valor inicial de R$ 1,8 bilhão para construção de plantas industriais da Citepe e de produção de filamentos têxteis e poletileno tereflatado. O valor subiu para 3,5 bilhões após aditivos, e com atraso “significativo” da obra, segundo o despacho que autorizou o cumprimento dos mandados.

“Esse caso evidencia o custo da corrupção. Os funcionários deixam de ser orientados pelos benefícios e passam a atuar pelos interesses das empresas”, afirma Pozzobon. “Todas [as vantagens indevidas] foram pagas para garantir não só a contratação da Odebrecht, mas que ela performasse mesmo contra todas as estatísticas”.

O procurador afirma que os contratos eram firmados sem levar em consideração custo, prazo ou rentabilidade. “O custo da corrupção ficou bastante evidente”.

A investigação em questão aponta que mais de cinco funcionários do alto escalão da Petrobras receberam vantagens indevidas em espécie no Brasil ou em dinheiro no exterior, segundo Pozzobon. Entre eles, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras; Paulo César Amaro Aquino, ex-diretor da Petroquisa; Glauco Legatti e Maurício Guedes, ex-gerentes da Petrobras.

Prisão 

Após ser condenado na sexta-feira (13) pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o ex-gerente da Petrobras Luis Carlos Moreira da Silva voltou a ser preso nesta manhã para evitar que ele prejudicasse investigações relacionadas à Operação Lava Jato. A prisão foi cumprida juntamente com os mandados da ação que investiga os contratos entre a Odebrecht e a Petrobras.

A prisão foi determinada pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da operação em primeira instância. Luis Carlos foi condenado por receber vantagens indevidas na contratação de navios sonda pela estatal. “Mesmo após o momento em que ele sabia ser investigado, ele deletou e-mails que o comprometiam nas apurações. Isso foi comprovado porque o destinatário não deletou os e-mails. Foi possível verificar a destruição de provas”.