Moro nega que defesas acompanhem perícias nos sistemas de pagamento de propinas da Odebrecht

Sérgio Moro - triplex
Redação com Juliana Goss | BandNews FM Curitiba

A perícia nos sistemas Drousys e MyWebDay, usados pela empreiteira Odebrecht para gerenciar o pagamento de propinas, não poderá ser acompanhada pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou de qualquer um dos réus que respondem ao processo. A decisão é do juiz Sérgio Moro, em resposta ao pedido dos advogados do ex-presidente, publicada nesta segunda-feira (6).

Moro determinou ainda, que técnicos indicados pela empreiteira poderão acompanhar os trabalhos, já que os profissionais podem auxiliar a Polícia Federal.

Na decisão de ontem, o juiz esclarece que as defesas dos réus terão acesso a todo o material periciado depois dos exames feitos pela PF. A análise integra a ação penal em que o ex-presidente é acusado de receber como propina da Odebrecht um terreno onde seria construída a sede do Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo.

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De acordo com o magistrado, assistentes técnicos da defesa e do Ministério Público Federal (MPF) poderão acessar todo material probatório sob a supervisão da equipe de peritos depois da elaboração do laudo. Ainda fica vedada a extração de qualquer cópia do sistema. Os peritos da PF deverão manter o magistrado informado sobre o andamento da perícia. O juiz deu o prazo inicial de trinta dias para que os procedimentos sejam concluídos.

Sistemas da Odebrecht

Nos sistemas Drousys e MyWebDay constam milhares de documentos que comprovariam o pagamento de propina a agentes públicos e políticos. Entre os materiais está uma planilha que indicaria valores repassados ao ex-presidente Lula e ao ex-ministro Antonio Palocci. A denúncia aponta que R$ 12,4 milhões teriam sido destinados a compra do terreno para a instalação de uma nova sede para o Instituto Lula, o que nunca de fato aconteceu.

A perícia nos sistemas deve esclarecer em quais dias e horários e de qual computador foram feitas alterações no documento. Respondem a este processo, além de Lula e Palocci, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e o empresário Glaucos da Costamarques.