PF cumpre mandados em desdobramento Lava Jato no Rio de Janeiro

polícia federal

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (14), no Rio de Janeiro, a Operação Cadeia Velha, um desdobramento da Operação Lava Jato no estado. O objetivo apurar a existência de uma organização criminosa que atuava no setor de transportes públicos, com apoio de parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). São investigados os crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Os mandados de prisão são contra Felipe Picciani, filho do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani, que foi conduzido coercitivamente. Os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi foram levados para depor, mas os procuradores pediram suas prisões.

Outro mandado de prisão é contra o empresário Jacob Barata Filho, Lélis Teixeira e José Carlos Lavouras, todos ligados à Fetranspor, além de Jorge Luiz Ribeiro, Andréia Cardoso do Nascimento, chefe de gabinete do deputado Paulo Melo, e o irmão dela, Fábio, também assessor de Melo. São cumpridos também mandados de busca e apreensão na Alerj.

Operação

Ao todo, são seis mandados de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, quatro conduções coercitivas e 35 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2º Região. Eles são cumpridos no Rio de Janeiro, Saquarema, Volta Redonda e Uberaba, todas no Rio de Janeiro, e em Uberaba, Minas Gerais.

Os três deputados estaduais do Rio de Janeiro são suspeitos de participar do esquema criminoso através do recebimento de vantagens indevidas da Fetranspor. A investigação, segundo a PF, aponta a existência “de clara atuação legislativa desses parlamentares em favor dos interesses da Fetranspor”. Foi identificada, também, “uma grande evolução patrimonial dos envolvidos desde que ingressaram na atividade política; e incompatível com os rendimentos inerentes aos cargos ocupados”. A Receita Federal também auxiliou nas investigações.

Segundo a PF, a operação de hoje é um desdobramento da Ponto Final, que mira fraudes no setor de transporte do estado do Rio de Janeiro. A Ponto Final foi deflagrada em julho. Na ocasião, foram presos Jacob Barata, Lélis Teixeira, o ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro), Rogério Onofre, além de outras dez pessoas envolvidas no esquema. Jacob Barata cumprie prisão domiciliar desde agosto.

Segundo a PF, também foram encontradas conexões entre as Operações Saqueador, Calicute, Eficiência e Quinto do Ouro.

Segundo as investigações, o esquema criminoso mantido por servidores, políticos e órgãos fiscalizadores, entre outros agentes, teria movimentado cerca de R$ 260 milhões. O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) teria recebido R$ 122,8 milhões em propina entre 2010 e 2016 – ele deixou o cargo em 2014.

Cadeia Velha

O nome da operação é uma referência a origem das fundações do Palácio Tiradentes, sede do legislativo fluminense onde, no Brasil colonial, funcionava uma prisão conhecida como Cadeia Velha para onde eram encaminhados todos aqueles que infringissem as leis da coroa portuguesa.