Advogados comparam ex-presidente Lula ao Papa Francisco

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Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da esposa Marisa Letícia protocolaram no sistema da Justiça Federal do Paraná a defesa prévia do processo que respondem no âmbito da Operação Lava Jato na tarde desta segunda-feira (10). Entre os argumentos, a defesa compara Lula ao Papa Francisco.

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Segundo a defesa prévia, atribuir ao ex-presidente a responsabilidade pelos atos de seus subordinados, comissionados e que exerciam cargos de confiança seria “um retrocesso de milênios” e compara Lula ao Papa Francisco. “Como pensar em responsabilizar o Papa Francisco por ações pessoais de Cardeais ou de Bispos nomeados por aquele, ou responsabilizar Bispos por ações pessoais de padres que cometam infrações, ordenados por aqueles?”, diz a defesa.

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Em setembro, durante coletiva de imprensa, o ex-presidente afirmou que tinha uma história pública conhecida no Brasil e que só perderia para Jesus Cristo. Veja:

Os advogados alegam que não há provas ou indícios concretos nas acusações contra Lula. “O que se evidencia é um processo sensacionalista e espetaculoso, que aniquila a garantia de presunção de inocência e no qual é nítida a violação ao contraditório e à ampla defesa, restando evidente o abuso do poder de persecução estatal.”


Denúncia

Lula responde por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato. O ex-presidente foi denunciado pelo MPF no dia 14 de setembro. Seis dias depois, a Justiça Federal aceitou o pedido e abriu uma ação penal contra ele e outras sete pessoas.

Segundo a denúncia, Lula teria intermediado o pagamento de propinas pela OAS a ex-diretores da Petrobras e teria recebido vantagens indevidas na aquisição, reforma e mobília do apartamento e no pagamento do armazenamento de bens em uma transportadora. Lula responde pelo recebimento de vantagens indevidas em três contratos com a construtora OAS – valores que foram lavados em reformas no tríplex. Segundo os investigadores, o ex-presidente recebeu cerca de R$ 3,7 milhões.

Os advogados questionam a competência do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba e questionam a imparcialidade dos procuradores da República envolvidos no caso. A defesa também aponta que o processo ficou oculto dos advogados de Lula, durante aproximadamente um mês, o que é contrário a orientação do Supremo Tribunal Federal (STF).