Aécio Neves é alvo de operação da PF

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) cumpriram, nesta quinta-feira (18), mandados relacionados ao senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) autorizados pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além dos mandados de busca e apreensão a serem cumpridos nos imóveis e no gabinete do senador afastado, também há um manado de prisão contra a irmã de Aécio, Andrea Neves.

A ação ocorre após denúncia publicada nesta quarta-feira (17) no jornal O Globo. Segundo a matéria, Aécio foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, o dono do frigorífico JBS, para pagar sua defesa na Lava Jato.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis de Aécio no Rio de Janeiro, Brasília e em Minas Gerais. Em Brasília, no Congresso Nacional, agentes cumprem mandados em seu gabinete, além dos escritórios do senador Zeze Perrella (PMDB-MG) e de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

O primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, também foi preso em Minas Gerais. Além dele, estão detidos Menderson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrela, e uma irmã do doleiro Lucio Funaro. Foi expedido ainda mandado de prisão foi expedido contra o procurador da República Ângelo Goulart Vilela. Também há mandados de busca e apreensão relacionados a Altair Alves, considerado braço direito do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

A operação de hoje foi chamada Patmos em referência à ilha grega onde o apóstolo João teria recebido mensagens do apocalipse

Denúncia

Nesta quarta-feira (17), o jornal O Globo revelou que os donos da JBS disseram em delação à Procuradoria-Geral da República que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enquanto ele já estava preso.

Segundo o jornal, o empresário Joesley Batista entregou uma gravação feita em março deste ano em que Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Lourdes (PMDB-PR) para resolver assuntos da JBS. Posteriormente, Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.

Em outra gravação, também de março, o empresário diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: “tem que manter isso, viu?”.

No material entregue pelos delatores, o senador Aécio Neves (PSDB) foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

Joesley relatou também que Guido Mantega era o seu contato com o PT. Era com o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff que o dinheiro de propina era negociado para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Advogado não vê crime

O presidente do PSDB teria dito ao empresário Joesley que o valor pedido custearia o trabalho do advogado Alberto Zacharias Toron. Em entrevista à BandNews, o advogado afirmou que não recebeu nenhum valor e que o valor pedido a Aécio foi no âmbito de “relações privadas”, o que não pode ser considerado obstrução da Justiça e nem corrupção.

“Não vejo um crime. Os fatos precisam ser melhor investigados para que medidas sejam tomadas”, disse. De acordo com o advogado, Aécio está “indignado, mas muito seguro” de que tudo isso se passou no âmbito das relações privadas. O advogado afirma que a condição de Joesley de investigado não confere ao ato o caráter de crime.

Ainda segundo Toron, o afastamento de Aécio não encontra suporte na Constituição e não deveria acontecer antes das apurações e procedimentos cabíveis. “Tenho medo dessas pseudo soluções tomadas com muita pressa, sem que antes se apurem as coisas”.