Aluguel de apartamento era acerto com amigo de Lula, diz engenheiro

Lula
Foto: Mauro Calove/ Fotos Públicas

Com BandNews Fm Curitiba

O engenheiro Glaucos da Costamarques, dono de um apartamento vizinho ao do ex-presidente Lula e primo do pecuarista José Carlos Bumlai, afirma que o valor do aluguel deste imóvel era pago pelo advogado do petista, Roberto Teixeira.

Os três são réus no processo mais recente aberto pela Justiça Federal do Paraná, relacionado às investigações da Operação Lava Jato. O apartamento fica em um prédio de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Segundo as investigações, o local era usado por Luiz Inácio Lula da Silva. A unidade vizinha ao local onde mora o petista seria bancada pela empreiteira Odebrecht, como parte da propina repassada ao ex-presidente no esquema de corrupção da Petrobras.

Aos investigadores da Força-Tarefa Lava Jato, Glaucos da Costamarques afirmou que o aluguel, na prática, não era pago. Segundo o investigado, o valor servia como compensação dos serviços de “assessoria sobre imóveis” prestados pelo advogado Roberto Teixeira.

Os detalhes das informações repassados por Costamarques foram divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo. O engenheiro ainda afirma que nunca fez a contabilidade dos rendimentos que tinham com os supostos aluguéis do imóvel porque “não achava necessário”.

Para o Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, Glaucos da Costamarques atuava como um “laranja” do ex-presidente Lula. O primo distante do pecuarista José Carlos Bumlai teria comprado o apartamento vizinho ao do petista em 2010. Para comprar o imóvel, a força-tarefa sustenta que o engenheiro recebeu R$ 800 mil da Odebrecht, repassado ao réu por meio da empresa DAG construtora.

O processo foi aberto na segunda-feira da semana passada. É a segunda ação penal a qual Lula responde no Paraná, relacionada à Operação Lava Jato, e quinta ação, no total, se contabilizados os processos que tramitam em Brasília, decorrentes das operações Lava Jato, Zelotes e Janus.

A denúncia mais recente contra Lula é divida em dois focos principais. Além do aluguel desta apartamento em São Bernardo do Campo, os procuradores também investigam a compra de um terreno em São Paulo. O lote, avaliado em R$ 12 milhões, foi pago pela Odebrecht e seria destinado à construção de uma nova sede para o Instituto Lula.

Segundo o despacho que aceita a denúncia, o pagamento foi realizado “como parte de acertos de propinas destinadas ao Partido dos Trabalhadores em contratos da Petrobrás”. O Instituto Lula, por meio de notas, nega todas as acusações.