Após depoimento de Teixeira, processo contra Lula entra em fase final

Foto: Filipe Araújo / Fotos Públicas
Foto: Filipe Araújo / Fotos Públicas

O advogado Roberto Teixeira, réu em ação penal que apura a compra pela Odebrecht de um terreno para a construção da nova sede do Instituto Lula, deve ser ouvido pelo juiz Sérgio Moro na manhã desta terça-feira (19).

A audiência está marcada para começar a partir das 10h e deve ser realizada por videoconferência a partir de São Paulo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu na mesma ação. Este é o último interrogatório antes de o processo chegar à fase final.

O Ministério Público Federal (MPF) acusa Teixeira de ter ajudado a intermediar pagamento de propina da Odebrecht ao ex-presidente.

O interrogatório de Teixeira foi adiado duas vezes. De acordo com os advogados, Teixeira foi internado no dia 5 de setembro devido a problemas no coração. Ele recebeu alta do hospital, mas necessitou de “repouso absoluto” no dia 13, para quando foi remarcado o depoimento, na mesma data em que Lula foi ouvido em Curitiba.

Desta vez, no entanto, o depoimento de Teixeira está mantido.

Em interrogatório no último dia 6 ao juiz federal Sergio Moro, o empresário Glaucos da Costamarques afirmou que o advogado Roberto Teixeira pediu que ele pagasse R$ 800 mil, em espécie, ao Instituto Lula. Costamarques é primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula.

Segundo Costamarques, Bumlai (que já foi condenado por Moro a nove anos e dez meses de prisão disse a ele que Roberto Teixeira teria um “negócio bom”.

O advogado, então, teria falado a Costamarques sobre um terreno em São Paulo que, por causa de disputas judiciais entre membros de uma família e dívidas, poderia ser comprado a um preço interessante. “Você pode comprar ele barato e ainda vender barato, e ganhar dinheiro”, Teixeira teria falado ao empresário.

O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, diz que “o Instituto Lula jamais recebeu qualquer valor do senhor Glaucos”.

Denúncia

De acordo com a denúncia do MPF, Lula teria recebido o terreno, avaliado em cerca de R$ 12,4 milhões, como vantagem indevida por contratos da empreiteira com a Petrobras. A obra nunca foi realizada. O negócio teria sido fechado com a intermediação do ex-ministro Antonio Palocci e de seu assessor, Branislav Kontic, também réus da ação penal.

A denúncia também narra o fato de que Lula também teria recebido o apartamento vizinho ao que mora por meio de vantagens ilícitas. Nesse caso, o MPF aponta que foram usados mais de R$ 504 mil na compra do imóvel e que teria sido adquirido por Glaucos da Costamarques.