Auditor diz que não encontrou interferência de Lula na Petrobras. Mas também não encontrou indícios de corrupção

A Justiça Federal do Paraná ouviu, nesta segunda-feira, seis testemunhas arroladas pela defesa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, no processo em que Lula é réu acusado de ter recebido vantagens indevidas da Odebrecht por contratos com a Petrobras, através da compra de um apartamento em São Bernardo do Campo e de um terreno em São Paulo, onde seria instalada a sede do Instituto Lula. Entre os depoentes estava o auditor independente Bernado Moreira Peixoto Neto, da KPMG, responsável por auditorias externas na Petrobras entre 2006 e 2011. Ele disse não ter encontrado nenhum indício de interferência de Lula na estatal, mas também admitiu ao juiz federal Sérgio Moro que não conseguiu descobrir o esquema de pagamentos de propinas na empresa.

Durante todo o depoimento de Peixoto Neto, os advogados de Lula insistiram em questioná-lo sobre se, em alguma auditoria, a KPMG identificou qualquer interferência do ex-presidente Lula nos contratos, ou mesmo na gestão da Petrobras, o que foi negado pelo interrogado. A pedido dos advogados de defesa, Bernardo também destacou o rigor da auditoria, as normas internacionais seguidas pela equipe e elogiou, inclusive, os sistemas de controle da Petrobras na época.

Ao fim dos questionamentos da defesa de Lula, que tentou, com a testemunha isentar o ex-presidente de qualquer ligação com os contratos da Petrobras com a Odebrecht, o juiz federal Sérgio Moro fez duas questões para esclarecimentos que podem enfraquecer o depoimento. Moro perguntou se tais auditorias conseguiram descobrir que diretores da Petrobras cobravam propina de empreiteiras, conforme já provado em outros casos da Operação Lava Jato e se era de conhecimento que tais diretores tinham conta no exterior para o recebimento das vantagens indevidas. “Nunca tivemos essa informação”, respondeu o depoente para, na sequência, Moro encerrar a audiência.