‘Basta uma noite no Congresso que toda investigação cai por terra’, declara procurador

Foto: Narley Resende / Paraná Portal
Foto: Narley Resende / Paraná Portal
Fernando Garcel e Narley Resende

O procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima declarou que as investigações podem “cair por terra” após uma noite no Congresso Nacional. A afirmação foi dada em coletiva de imprensa convocada para celebrar os três anos da Operação Lava Jato, nesta sexta-feira (17), em Curitiba.

No seu discurso, Lima afirmou que grande parte do Executivo e do Legislativo nacional trabalham contra as investigações. “Nós temos medidas, inúmeras, tentando restringir e não alavancar investigações criminais. Nós temos órgãos que ao invés de nos apoiarem nos acordos de leniência tentam impedir que as empresas venham ao Ministério Público e falem sobre as irregularidades que elas cometeram”, declarou. “Nós nos comprometemos a continuar a investigar, tornar a investigação é nacional e internacional e alertar a população sobre as tentativas de derrubar a Lava Jato”, completou o procurador.

Sobre o fim da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol afirmou que as investigações só vão acabar após estarem exauridas as evidências e crimes dos investigados praticados. “Pela perspectiva do que o Brasil precisa, o fim é o momento em que forem aprovadas reformas que mudem os incentivos que existem hoje no sistema político para que a corrupção aconteça”, disse.

Durante a coletiva de imprensa, os membros da força-tarefa da Lava Jato denunciaram a tentativa de anistiar os crimes de caixa 2 e aos crimes de corrupção cometidos em campanhas eleitorais. “Esse discurso de que estamos anistiando os crimes de caixa dois só interessa a quem promoveu os atos de corrupção e lavagem [de dinheiro]. É um beneficio da classe política para si mesma. Eu acho isso inconstitucional e imoral. Uma medida dessa só vai fazer a população descrer da classe política e da prática política”, declarou Carlos Lima. “Ou o Brasil evolui para uma democracia real, onde o dinheiro não faz a diferença e sim as ideias, ou vamos continuar com os mesmos problemas economicos e sociais que enfrentamos a mais de cem anos”, concluiu o procurador.

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Cooperação internacional

O Ministério Público Federal (MPF) destacou a importância das cooperações internacionais celebradas dentro da Lava Jato. De acordo com os procuradores, isso demostra um panorama que deve se tornar mais comum nos próximos anos e no desenvolvimento de futuros trabalhos de investigação. A troca de informações entre autoridades de diversos países com o objetivo de combater crimes transnacionais e desvendar uma série de ilícitos cometidos além do próprio país é uma realidade que só tende a crescer.

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