Ex-assessor de Palocci confirma encontros com executivos da Odebrecht

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Foto: Reprodução

O ex-assessor de Antonio Palocci, Branislav Kontic, prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro na condição de réu na manhã desta quinta-feira (20). Ambos respondem pela acusação de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da 35ª fase da Lava Jato, batizada de Omertà.

“Todos os governos só trabalharam em função da Odebrecht”, afirma Palocci

No depoimento, que durou 15 minutos, Kontic explicou sobre as rotinas administrativas e reuniões com empresários da Odebrecht. Segundo o ex-assessor, os encontros não eram frequentes mas existiam e aconteceram no período em que era parlamentar, porém não teve conhecimento de encontros com empreiteiros no período em que Palocci foi ministro dos governos de Lula e Dilma. Ele também negou que tenha conhecimento de vantagens indevidas recebidas pelo ex-ministro.

Branislav Kontic cumpre prisão domiciliar com medidas cautelares após pagar fiança estipulada em R$ 1 milhão desde dezembro do ano passado. Em outubro, quando teve a prisão temporária convertida em prisão preventiva, o ex-assessor atentou contra a própria vida enquanto estava detido na carceragem na Polícia Federal.

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Além da fiança, do monitoramento por tornozeleira eletrônica e da proibição de deixar o país, o ex-assessor de Palocci ainda tem outras três medidas cautelares a cumprir. Ele não pode se comunicar com nenhum investigado ou testemunha do processo, deve comparecer a todos os atos do processo e responder a todas as intimações e também não pode ficar mais de 30 dias fora de casa sem autorização da Justiça.

Os depoimentos de hoje são os últimos desta fase do processo. Agora, as defesas devem solicitar diligências complementares e, em seguida, Moro deve determinar um prazo para as alegações finais e então determinar a sentença.

Operação Omertà

A denúncia da Operação Omertà é relacionada à obtenção, pela empreiteira Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobras. De acordo com os procuradores, entre os anos de 2006 e 2015, Palocci estabeleceu uma ligação com altos executivos da Odebrecht com o objetivo de atender os interesses do grupo empresarial diante do governo federal.

Para Moro, enquanto não houver o rastreamento do dinheiro e a identificação da sua localização há “risco de dissipação do produto do crime, o que inviabilizará a sua recuperação”. O juiz determinou o bloqueio de R$ 128 milhões das contas bancárias do ex-ministro e de Branislav.

O relatório do delegado federal Filipe Hille Pace relacionou os alvos da investigação. “Relaciono algumas das obras públicas e/ou consórcios e empresas indicadas no documento mencionado, repetindo que, por se tratarem de arquivos recuperados, estão parcialmente corrompidos, não sendo permitindo vincular diretamente as obras e/ou consórcios e empresas indicadas com os beneficiários encontrados e mencionados acima”, afirma.

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São investigados pagamentos feitos ao PT, por meio de depósitos pela Odebrecht intermediados por Antônio Palocci: R$ 33,3 milhões via offshores ao casal João Santana e Mônica Moura, além de R$ 10 milhões por meio da empresa Shelbil,  R$ 44 milhões recebidos por Jucelino Dourado (ex-assessor de Palocci) e outros R$ 7 milhões em 2012.



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