Confira a íntegra do depoimento de Lula na Justiça Federal

Lula durante depoimento. Foto: Reprodução / JF

Lula durante depoimento. Foto: Reprodução / JF

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, réu na Operação Lava Jato, ficou frente à frente com o juiz federal Sérgio Moro nesta quarta-feira (10). Em depoimento, que durou cerca de 4 horas, Lula se defendeu das acusações do Ministério Público Federal (MPF) que o apontam como recebedor de vantagens pagas pela empreiteira OAS envolvendo um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo, em troca de favores e contratos com a Petrobras.

Lula é réu por crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

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Depois de ouvir o ex-presidente e receber as alegações finais do MPF e das defesas, Moro deve decidir se condena ou absolve os réus do processo. Não há prazo para a decisão.


Processo contra Lula

O processo é resultado da 22ª fase da operação, a Triplo X, deflagrada em janeiro de 2016, quando a Polícia Federal (PF) levantou a suspeita de que apartamentos do prédio estariam sendo usados por investigados para lavar dinheiro. A defesa de Lula nega que ele seja dono do imóvel. Em março, na Operação Aletheia, 24ª fase, o ex-presidente foi levado para depor coercitivamente no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A operação era uma continuação das investigações. A denúncia era a de que ele teria sido beneficiado, ao todo, com propinas de R$ 3,7 milhões.

O triplex no Condomínio Solaris, construído pela cooperativa habitacional do sindicato dos bancários (Bancoop), teria sido adquirido e reformado pela empreiteira OAS, uma das principais envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Lula seria o verdadeiro dono do imóvel e o teria recebido como vantagem indevida em troca de favores.

Os laudos apontam melhorias no imóvel avaliadas em mais de R$ 777 mil, além de móveis estimados em R$ 320 mil e eletrodomésticos em R$ 19,2 mil. A PF estima que as melhorias tenham custado mais de R$ 1,1 milhão no imóvel do Guarujá.

A empreiteira também teria pagado pelo aluguel de um depósito para guardar bens presidenciais – desde 2011, quando Lula deixou o Planalto, a guarda do material teria custado R$ 1,3 milhão, pago pela OAS. A empreiteira teria realizado os pagamentos até 2016. Eram R$ 21,5 mil mensais para que bens do ex-presidente ficassem guardados em depósito da empresa Granero.

Neste processo, já foram ouvidas 26 testemunhas do MPF e 43 da defesa de Lula e outros réus – entre elas empreiteiros, vizinhos e o zelador do edifício. Lula é o último réu a ser ouvido por Moro. Entre os demais, está o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, que confirmou que o apartamento pertencia ao ex-presidente.

Outros réus são os ex-executivos da OAS Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Fabio Hori Yonamine, José Aldemário Pinheiro Filho e Paulo Roberto Valente Gordilho; o advogado Roberto Moreira Ferreira; e o presidente do Instituto Lula, Paulo Tarciso Okamotto. A ex-primeira-dama Marisa Letícia também estava entre os réus, mas morreu no dia 3 de fevereiro.