Defesa diz que Lula foi condenado sem provas e prepara recurso ao TRF4

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Em entrevista coletiva na noite desta quarta-feira, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que espera obter a inocência do petista no recurso que será feito ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, no Rio Grande do Sul. Segundo os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Martins a estratégia será a mesma adotada em primeira instância: a de levar provas que apontam que Lula não foi proprietário do tríplex e também não usufruiu dele. “Esperamos que esse quadro [sentença], que joga página negra sobre a Justiça brasileira, seja revertido a fim de resgatar a confiança, de que a presunção da inocência vai ser respeitada pelo Judiciário”, afirmou Zanin Martins. “Temos a certeza de que a inocência [de Lula] será reconhecida em alguma instância recursal”.

“A partir de agora, vamos fazer uma análise criteriosa da sentença e identificar quais os meios de impugnação cabíveis. Tudo isso será levado a público. Certamente a sentença será impugnada de todas as formas cabíveis”. O advogado negou adotar uma política de enfrentamento com Moro. “Nós levamos a prova e usamos os mecanismos legais, previstos em lei, de atos arbitrários, para mostrar que o juiz havia perdido a legitimidade. A estratégia jamais foi de enfrentamento com o juiz”, afirmou.

O Advogado ainda citou ilegalidades supostamente cometidas pelo juiz, entre elas a acusação de agir com imparcialidade, de cercear o direito à defesa e acessos a provas e perícias, e de basear a sentença em depoimento do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que não tem acordo de delação premiada homologado pela Justiça. “Os principais delatores da Lava Jato depuseram nessa ação penal que hoje foi sentenciada. Apesar da coação de terem feito a delação presos, nenhum deles fez qualquer acusação contra o ex-presidente Lula. A despeito do cenário em que colhida a delação premiada, o cenário de coação, porque essas pessoas estavam presas, nenhuma delas fez qualquer acusação contra o ex-presidente Lula”, argumentou Zanin. “Ele usou um delator informal, que ainda procura benefícios, para fazer sua condenação. Não há um único elemento a justificar essa condenação. O que existe é uma condenação baseada na delação de Léo Pinheiro”, acrescentou.

A defesa do ex-presidente afirmou que não há receio em relação às outras quatro ações em que Lula é réu, isso porque, segundo os advogados, a situação é a mesma da ação do tríplex, ou seja, “de especulação, baseada em meras hipóteses e suposições”. “O que existe é uma absoluta falta de provas nos demais casos”, afirmou Martins