Defesa levanta suspeita sobre e-mail recebido na véspera da busca e apreensão no Instituto Lula

Foto: Filipe Araújo/Fotos Públicas
Foto: Filipe Araújo/Fotos Públicas

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no sistema da Justiça Federal do Paraná, nesta quinta-feira (6), um pedido para que seja investigado a origem de um e-mail encaminhado para uma funcionária do Instituto Lula na véspera da deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Aletheia, que apreendeu computadores do local e da residência de Lula. Segundo os advogados, o e-mail que nunca foi lido pela destinatária tenta levantar suspeitas sobre o ex-presidente.

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De acordo com Cristiano Zanin, o e-mail foi enviado às 22h17 do dia 3 de março de 2016 para o endereço de uma colaboradora do Instituto Lula. Como os mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) foram cumpridos às 6h do dia seguinte, o e-mail nunca foi lido pela funcionária ou por por qualquer outro membro do Instituto Lula. Ainda segundo a defesa, após a apreensão, as senhas do provedor foram alteradas pela PF.

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Segundo os advogados de Lula, o e-mail tem sido utilizado como prova para embasar investigações sem verificação sobre a origem e a real intenção do emissor da mensagem. No e-mail, a pessoa se identifica como Anna Bumlai e e escreveu para Claudia Troiano, funcionária do Instituto Lula, uma mensagem que avisava sobre grampos nos telefones e para que a mensagem fosse encaminhada para Lula e depois apagada. Além disso, também cita “valores” e assuntos relacionados a família Bumlai.

Capturar

No requerimento, a defesa do ex-presidente requer que a empresa “Yahoo do Brasil”, responsável pelo provedor do e-mail, forneça os registros de acesso, endereços de IP de origem, horários GMT de acesso e dados cadastrais fornecidos pelo usuário, além de dados disponíveis do usuário que utilizou o IP e que seja dada nova oportunidade de manifestação a Lula, para os novos requerimentos cabíveis.

Operação Aletheia

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Lula, principal alvo da fase, em março de 2016. O ex-presidente foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP). Também foram levados para depoimento dois filhos de Lula, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e os empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna.

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Cinco das maiores empreiteiras investigadas na Lava Jato – Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão- teriam feito pagamentos e doações às empresas de Lula: o Instituto Lula e a LILS Palestras. Os valores somavam cerca de R$ 30 milhões.

As investigações também apontaram que o ex-presidente recebeu benefícios através da OAS, da Odebrecht e do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. As construtoras e o empresário teriam custeado reformas e a compra de móveis para o sítio e o triplex.