Delação da JBS tem cerca de 2 mil páginas

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Com informações de André Richter – Repórter da Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou há pouco a íntegra da delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, controlador do frigorífico Friboi. A medida foi tomada após o ministro Edson Fachin homologar os depoimentos, firmados com a Procuradoria-Geral da República (PGR). São cerca de 2 mil páginas. As oitivas foram gravadas em vídeo.

> Íntegra da delação

Entre os investigados estão o presidente Michel Temer (PMDB), o senador afastado Aécio Neves (PDSB) e o deputado afastado Rocha Loures (PMDB). O STF vai investiga-los pelos crimes de corrupção passiva, constituição e participação em organização criminosa e obstrução à investigação de organização criminosa.

Segundo a delação, que foi homologada pelo STF na tarde de ontem, a PGR afirma que o o presidente Michel Temer deu “anuência” para que o empresário Joesley Batista efetuasse pagamentos mensais para o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB), preso em Curitiba pela Lava Jato, em troca de silêncio. Nos registros, Joesley afirma que tem procurado manter boa relação com o ex-deputado, mesmo após sua prisão, e Temer cobra a necessidade desse aproximação com Cunha: “tem que manter isso, viu”, declara o presidente da República. O empresário fala de propina paga ‘toda mês, também’ ao Eduardo Cunha, acerca da qual há a anuência do presidente”, diz o texto da PGR.

Em um dos trechos da delação premiada da JBS, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) afirma que o presidente Michel Temer e o então ministro da Justiça Alexandre de Moraes, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, poderiam “organizar uma forma de impedir que as investigações (da Lava Jato) avançassem”.

Em uma conversa gravada com o empresário Joesley Batista, Aécio diz que é necessário “escolher dez caras”, se referindo a delegados que poderiam atuar para barrar a operação. Na sequência, o senador tucano explica como poderia ser feito o pagamento da propina de R$ 2 milhões para ele.

Divulgação de conversas

Na quinta-feira (18), após retirar o sigilo dos depoimentos, o STF divulgou o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista em uma reunião com o presidente Michel Temer. A prova faz parte da investigação que foi aberta contra o presidente na Suprema Corte. Também foram citados os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Zezé Perrella (PMDB-MG), além da ex-presidenta Dilma Rousseff e o ex-ministro Guido Mantega.

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O áudio tem cerca de 40 minutos. Na conversa, Temer e Batista falam sobre o cenário político, os avanços na economia e também citam a situação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi preso na Operação Lava Jato, por volta dos 11 minutos. Em pronunciamento na tarde de ontem, Temer afirmou que não irá renunciar ao cargo e exigiu uma investigação rápida na denúncia em que é citado, para que seja esclarecida. “Não renunciarei. Repito, não renunciarei”, afirmou.

Em seguida, em nota divulgada à imprensa, o Palácio do Planalto informou que o presidente não acreditou na veracidade das declarações de Joesley referentes ao suborno de um juiz e um procurador.

“O presidente Michel Temer não acreditou na veracidade das declarações. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem. O presidente não poderia crer que um juiz e um membro do Ministério Público estivessem sendo cooptados”, disse a assessoria do Palácio do Planalto, em nota. “A expectativa do governo é que o STF investigue e arquive o inquérito”, diz o comunicado.