Deltan afirma que doa “praticamente tudo” o que recebe com palestras

Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal
Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

O procurador Deltan Dallagnol respondeu na tarde deste sábado (17) as críticas que tem recebido na internet por cobrar de R$ 30 mil a R$ 40 mil por palestra. Em nota, o coordenador da Força Tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal em Curitiba afirmou que doa “praticamente tudo” o que recebe com palestras sobre ética e combate a corrupção.

Segundo o texto publicado por Dallagnol, este ano ele passou a usar outra parte do recurso arrecadado para despesas ou custos decorrentes da atuação e o restante para um fundo. No ano passado, a doação seria integral.

“Em 2017, após descontado o valor de 10% para despesas pessoais e os tributos, os valores estão sendo destinados a um fundo que será empregado em despesas ou custos decorrentes da atuação de servidores públicos em operações de combate à corrupção, tal como a Operação Lava Jato, para o custeio de iniciativas contra a corrupção e a impunidade, ou ainda para iniciativas que objetivam promover, em geral, a cidadania e a ética”, argumenta o procurador.

A resposta de Dallagnol foi publicada após circular na internet um link de uma empresa promotora de palestras com o orçamento do que seria cobrado pelo procurador.

Anúncio foi retirado do ar

No link da página que levava ao anúncio, a referência às palestras do procurador foi substituída por um texto em que a empresa afirma não ter havido autorização para a publicação anterior.

“Esta página foi retirada do ar, pois não foi autorizada pelo palestrante e nem por sua equipe. A Motiveação Palestras vem por meio desta se retratar por qualquer tipo de prejuízo e/ou situação que tenha vindo a causar ao Sr. Deltan Dallagnol e aproveitamos para deixar nosso apoio ao trabalho muito bem feito que o mesmo vem ajudando a tornar realidade e história em nosso país.”, diz o texto.

A publicação que foi retirada revelava que o coordenador da Lava Jato cobraria de R$ 30 mil a R$ 40 mil. No texto, Deltan era apresentado como autor de denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de ter o nome associado às “10 medidas contra corrupção” encaminhadas ao Congresso Nacional.

Deltan Dalagnol

Leia a resposta de Deltan na íntegra:

“Amigos, diante de críticas maldosas que circulam em grupos de aplicativos e em blogs, achei relevante prestar os seguintes esclarecimentos a vocês. Por favor, leia e compartilhe:

1 – O combate à corrupção sempre foi objeto de meu interesse profissional e acadêmico. Por isso, escrevi sobre o tema em 2012 e há mais de década trabalho na área.

2 – Estou convicto de que o meu papel não se restringe apenas à esfera judicial, cabendo atuar na área acadêmica e cidadã. Por essa razão, resolvi trabalhar no combate à corrupção não apenas na frente repressiva-institucional, mas também na preventiva-cidadã, por meio de palestras em que posso promover valores de respeito à lei e ao bem comum e exercer minha cidadania em busca de reformas anticorrupção.

3 – A maior parte das palestras é gratuita e nunca autorizei que empresas de agenciamento usassem meu nome para a divulgação de serviço oneroso (quem o fez agiu sem minha autorização e estão sendo adotadas providências para que cessem a indevida divulgação).

4 – Dentro do mesmo espírito, no caso de palestras remuneradas sobre ética e corrupção em grandes eventos, tenho destinado o dinheiro para entidades filantrópicas ou para a promoção da cidadania, da ética e da luta contra a corrupção.

5 – Embora eu pudesse legalmente dar destinação pessoal aos recursos, como muitos profissionais da área pública e privada fazem, optei por doar praticamente tudo para que não haja dúvidas de que a minha motivação é apenas contribuir modestamente, como qualquer cidadão de bem, para um país com menos corrupção e menos impunidade.

6 – Realizei palestras em grandes eventos em 2016 e o valor, nos casos em que houve pagamento, foi INTEGRALMENTE destinado para a construção do hospital oncopediátrico Erasto Gaertner, uma entidade filantrópica que contribuirá com o tratamento de câncer em crianças de vários locais do país. Em 2017, após descontado o valor de 10% para despesas pessoais e os tributos, os valores estão sendo destinados a um fundo que será empregado em despesas ou custos decorrentes da atuação de servidores públicos em operações de combate à corrupção, tal como a Operação Lava Jato, para o custeio de iniciativas contra a corrupção e a impunidade, ou ainda para iniciativas que objetivam promover, em geral, a cidadania e a ética.

7 – Nunca divulguei isso antes para evitar que tal atitude fosse entendida como ato de promoção pessoal. Contudo, diante de ataques maldosos e mentirosos, reputo conveniente deixar isso claro para evitar qualquer dúvida de que o que me motiva é o senso de dever, como procurador e como cidadão.

Deltan Dallagnol, procurador da República e coordenador da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba”