Léo Pinheiro afirma em depoimento que triplex é de Lula

Foto: Reprodução
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Fernando Garcel com Thaissa Martiniuk

O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro prestou depoimento por mais de três horas ao juiz federal Sérgio Moro em processo que tem como principal réu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde desta quinta-feira (20). Ele afirmou que o triplex no Edificio Solaris é parte de um total de R$ 3,7 milhões em propinas pagas ao ex-presidente Lula em três contratos da OAS.

O ex-executivo da OAS Agenor Magalhães Medeiros também seria ouvido nesta quinta-feira, mas o depoimento dele precisou ser adiado. O interrogatório foi transferido para o dia 28 de abril.

> Com 149 páginas, denúncia só aborda tríplex a partir da página 92

O depoimento de Léo Pinheiro era aguardado pois ele estaria tentando fechar um novo acordo de delação premiada com a força-tarefa. Ele esteve perto de se tornar um colaborador, mas a negociação foi suspensa pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em agosto do ano passado.

No início da audiência, o assunto foi pautado pelo advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, sobre o andamento dessa negociação com o Ministério Público Federal (MPF). De acordo com a defesa de Pinheiro, conversas com o MPF sobre a delação ocorrem, porém o depoimento não foi negociado com os procuradores.

Em resposta, a defesa de Lula solicitou a suspensão do depoimento pois existem negociações em curso. “Se há benefícios sendo estabelecidos, a defesa tem que saber claramente qual a situação jurídica do interrogando para desenvolver o seu trabalho. Não é possível que haja hoje uma situação não esclarecida”, declarou Zanin. A defesa afirmou que se sente prejudicada. “Hoje o interrogando tem o direito constitucional de ficar calado e de mentir. Agora, se ele é um delator, a situação jurídica se altera”, afirmou. O magistrado negou o pedido da defesa de Lula.

O executivo também confirmou em audiência que o o triplex no Edifício Solaris é parte de um total de R$ 3,7 milhões em propinas pagas ao ex-presidente Lula em três contratos da OAS com a Petrobras. O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, nega as acusações e diz que o depoimento prestado por Leo Pinheiro foi uma encenação. Para o advogado, Léo Pinheiro não tem provas das declarações dadas em audiência e ressaltou que as informações servem apenas para que ele consiga finalizar a delação premiada.

A defesa do ex-presidente garante que o petista tem documentos e provas suficientes para sustentar que nunca foi o dono do apartamento.

Veja o depoimento na íntegra:

Advogados deixam defesa de Léo Pinheiro

Depois da audiência desta quinta-feira, as equipes dos advogados Edward de Carvalho, Roberto Telhada e Jacinto Coutinho anunciaram que deixam a defesa de Léo Pinheiro. Confirmada a retomada da colaboração premiada com a Lava Jato, as defesas do ex-executivo e da empreiteira OAS ficam nas mãos do advogado José Luís de Oliveira Lima, que negocia a delação.

Os advogados que deixam a defesa alegam conflito de interesses da causa de Léo Pinheiro com a de outros clientes que representam.

Léo Pinheiro

O ex-presidente da OAS foi condenado duas vezes na primeira instância em processos da Lava Jato. As condenações somam 39 anos de prisão. Atualmente ele cumpre detenção em regime domiciliar.

Acusações contra Lula

O ex-presidente Lula foi indiciado por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. No inquérito, Lula é apontado como recebedor de vantagens pagas pela empreiteira OAS no triplex do Guarujá. Os laudos apontam melhorias no imóvel avaliadas em mais de R$ 777 mil, além de móveis estimados em R$ 320 mil e eletrodomésticos em R$ 19,2 mil. A PF estima que as melhorias tenham custado mais de R$ 1,1 milhão no imóvel do Guarujá.

Paulo Tarcisio Okamoto foi indiciado por crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ele recebeu vantagens indevidas entre 2011 e 2016 que totalizaram mais de R$ 1,3 milhão do empreiteiro Léo Pinheiro.

Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, é acusado por corrupção ativa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Ele teria pagado a Paulo Gordilho, ex-diretor da OAS, para a realização das obras e trasporte e armazenamento dos bens do casal. O total pago em vantagens indevidas chegaria a R$ 2.430.193.

Paulo Gordilho teria atuado diretamente no pagamento de propina junto a Léo Pinheiro. Foi indiciado pelos crime de corrupção ativa.

Próximos depoimentos

Moro retoma os interrogatórios com os réus da ação penal na próxima quarta-feira (26). Serão ouvidos na semana que vem Fábio Yonamine; Paulo Gordilho; e Roberto Ferreira. Na sexta-feira (28), o juiz colhe o depoimento de Paulo Okamotto.

Na semana seguinte, no dia 3 de maio, Lula virá para Curitiba onde prestará o primeiro depoimento pessoalmente ao juiz federal. Está prevista grande movimentação de entidades contrárias e solidárias ao ex-presidente. São previstas “caravanas” e a Polícia Federal (PF) já adiantou que irá remover o acampamento montado na frente da Justiça Federal, local em que o depoimento vai acontecer, e que irá isolar duas quadras para evitar tumulto e possíveis confrontos.