Escritório deixa defesa de Cunha após delação da JBS

Reprodução / JFPR
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O escritório de advogados Arns de Oliveira & Andreazza, responsável pela defesa do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) e de outros réus da Operação Lava Jato, deixou a defesa do ex-deputado federal.

Cunha foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 15 anos e quatro meses de prisão no âmbito da Lava Jato e cumpre a pena no Complexo Médico-Penal (CMP), na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas.

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A assessoria de imprensa do advogado Marlus Arns de Oliveira não informou o motivo que levou o escritório a deixar o caso. A decisão ocorre um dia após a revelação, pelo jornal “O Globo”, de que Cunha recebia propina para que não fizesse acordo de delação premiada com a Justiça. “O escritório Arns de Oliveira & Andreazza Advogados Associados, a partir de hoje (18), não advoga mais para o ex-deputado Eduardo Cunha, sendo que substabelece sem reservas para os advogados que já estão na defesa”, diz a nota.

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Apesar de deixar a defesa do ex-deputado, o escritório de advogados permanece, até o momento, em um dos dois processos em que a jornalista e esposa de Cunha, Cláudia Cruz, responde na 13ª Vara Federal de Curitiba. Ela responde em uma ação penal acusada de cometer atos de improbidade administrativa e em outra que apura lavagem de dinheiro e crimes de corrupção.

Além de Cláudia Cruz, Oliveira é responsável pela defesa de João Claudio Genu, Valério Neves, Ivan Vernon, João Bernardi, Eduardo Leite, Dalton Avancini, Arthur Lira (Cível) e Benedito Lira (Cível).

Novo mandado de prisão contra Cunha

A Polícia Federal (PF) cumpriu um novo mandado de prisão preventiva contra o ex-presidente da Câmara na manhã desta quinta-feira (18). O mandado foi expedido pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), na Operação Patmos, deflagrada após o vazamento da colaboração premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, proprietários do frigorífico JBS, publicado pelo jornal “O Globo” no início da noite de ontem.

Cerca de 200 policiais federais cumpriram 49 mandados judiciais, sendo 41 de busca e apreensão e 8 de prisão preventiva nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão, além do Distrito Federal na manhã desta quinta-feira (18). O objetivo das medidas é coletar provas de corrupção e crimes contra a administração pública, entre outros crimes, nas investigações que tramitam no STF.

Delação da JBS

Segundo o jornal “O Globo”, o empresário Joesley Batista entregou uma gravação feita em março deste ano em que Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Lourdes (PMDB-PR) para resolver assuntos da JBS. Posteriormente, Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.

Em outra gravação, também de março, o empresário diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: “tem que manter isso, viu?”

No material entregue pelos delatores, o senador Aécio Neves (PSDB) foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

Joesley relatou também que Guido Mantega era o seu contato com o PT. Era com o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff que o dinheiro de propina era negociado para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.