Gleisi rebate relatório da PF que a incrimina: “cheio de rococó”

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, usou a tribuna do Senado, na tarde desta terça-feira, para defender-se do relatório da Polícia Federal que a indiciou, junto com seu marido Paulo Bernardo, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por conta de doações eleitorais não registradas feitas pela Odebrecht a sua campanha para o governo do Paraná em 2014. Em um pronunciamento de 18 minutos, Gleisi deu a entender que admite o uso de caixa 2 eleitoral, mas disse não haver, nos apontamentos da PF, fatos que justifiquem as atribuições de lavagem de dinheiro e corrupção na conduta dela e de Paulo Bernardo. A senadora criticou ainda o fato de, em meio a mais de 200 políticos citados na delação da Odebrecht, o primeiro inquérito concluído ser justamente contra a presidente do PT.

“Esse inquérito trata, como trata de várias outras pessoas, mais de 200 nomes na lista da Odebrecht e eu fico impressionada que o meu caso sai primeiro. E é claramente como os outros casos, de caixa dois de campanha, mas a delegada insiste que cometi crime de corrupção e lavagem de dinheiro”, disse a senadora, que emendou citando que, para haver corrupção precisaria de um fato que comprovasse que ela pediu dinheiro em troca de vantagem indevida para a construtora. “Em todo o processo não tem uma fala minha com nenhum ser ligado à Odebrecht. Estão me acusando de corrupção passiva, mesmo sem o fato”, disse, questionando, também, o indiciamento por lavagem de dinheiro. “Para lavar, você tem que receber dinheiro ilegal e lavar de forma legal. Como estão dizendo que foi caixa dois, não pode ser lavagem. Como posso lavar dinheiro ilícito de forma ilícita?”, questiona.

A Polícia Federal diz que as doações da Odebrecht para a campanha de Gleisi foram uma contrapartida da empresa a um empréstimo conseguido junto ao BNDES em 2009, quando o marido da senadora, Paulo Bernardo, era ministro do Planejamento. “Então eles dizem que foi meu marido que pediu dinheiro, não sabem dizer como, através de quem, mas querem dizer que esse dinheiro doado em 2014 teria relação com um empréstimo liberador pelo BNDES em 2009. Mas o Ministério do Planejamento não tem ascendência sobre o BNDES que tá vinculado ao MDIC (Desenvolvimento, Indústria e Comérico). E se foi em 2009, iam esperar até 2014 para me repassar o dinheiro”, argumenta. “E pior, indiciaram meu marido sem terem ouvido ele. Isso é cerceamento de defesa”.

Para a senadora, o relatório é parte de um processo de criminalização do PT. “É uma loucura o tipo de ilação que fazem. É um relatório de 70 páginas, cheio de rococó, citações de outros processo para tentar me incriminar. É tudo baseado em delações incompletas do Marcelo Odebrecht. São vários citados e eu em primeiro lugar. É obvio que acho que isso acompanha uma criminalização do PT. Para tentar impedir o PT de disputar as eleições em 2018, já que não conseguem tirar na urna. E o judiciário, em seus julgamentos seletivos, está compactuando com isso”, afirmou.

“Não tenho problema nenhum em ser investigada. Eu tenho vida pública e tenho obrigação de dar satisfação ao meu eleitorado e ao meu povo. Mas, desse jeito não. Assim não posso admitir. Ou faz a coisa para todo mundo igual, ou vamos parar de brincadeira, porque isso está reproduzindo o preconceito que se tem nesse país”, disse a senadora, que concluiu, mais uma vez, deixando a entender que admite o caixa 2 em sua campanha. “Quero avisa dessa tribuna que vamos brigar muito não tenho medo, podem soltar relatório da PF, podem tentar fazer inquérito. Eu não tenho medo, não fiz nada de errado. Na campanha eleitoral, usamos a regra que era para todos”.