Herdeiro da OAS autorizou obras no tríplex, diz email

leo pinheiro

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

A defesa do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro entregou à Justiça, na noite da última segunda-feira, novos documentos sobre o tríplex atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um deles indica que as reformas no imóvel – do qual Lula nega ser o beneficiário – foram autorizadas não apenas por Pinheiro, mas por Antonio Carlos Mata Pires, filho do dono do grupo, César Mata Pires.

Ao lado de outras construtoras – e diferentemente da Odebrecht, por exemplo –, a OAS foi uma das empresas onde a investigação atingiu altos executivos, mas não chegou aos donos e controladores das empreiteiras.

Uma troca de e-mails, porém, mostra que Antonio Carlos Mata Pires deu o aval para as reformas a Fabio Yonamine, diretor que atuou na obra do apartamento.

e-mailO e-mail é de 28 de abril de 2014 – data entre a visita de Lula ao imóvel, em fevereiro, e uma segunda visita que a ex-primeira dama Marisa Letícia fez sem Lula, em agosto.

Na mensagem, Yonamine pede uma autorização final para começar as obras. Mata Pires escreve: “Estou com Dr. Leo. Pode avançar”.

Em um e-mail mais antigo, de setembro de 2012, um dirigente da OAS pergunta “qual das coberturas é a que precisamos ter atenção especial?”, e outro responde que é a unidade 164-A, o tríplex.

Questionada sobre o envolvimento de Mata Pires, a OAS informou que “não irá se manifestar”.

Agenda e mensagens

A defesa de Pinheiro também anexou registros de agenda e mensagens de WhatsApp de 2009 a 2014 para demonstrar que ele se reuniu, nas datas em que alega, com Lula, com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari e com o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Em uma das mensagens, de 22 de fevereiro, Pinheiro escreve à filha: “Voltando de SBC [São Bernardo do Campo, onde Lula mora]. Trânsito horroroso no Ibirapuera”.

Em nota, a defesa de Lula afirmou ontem que os papéis “nada provam” contra ele.