Hospital afirma não ter encontrado registro de visita do advogado de Lula

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Glaucos da Costamarques em depoimento ao juiz Sergio Moro. Foto: Reprodução
Com BandNews Curitiba

A direção do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, afirma não ter encontrado registro de visita em nome do advogado de Lula, Roberto Teixeira, no período em que o empresário e engenheiro Glaucos da Costamarques esteve internado no local.

O juiz Sérgio Moro havia pedido que o hospital apresentasse informações sobre as pessoas que visitaram Costamarques entre os meses de novembro e dezembro de 2015. A defesa do empresário afirmou que Teixeira esteve no hospital para falar do aluguel do apartamento vizinho ao que o petista vive, em São Bernardo do Campo e que é alvo de ação penal na Lava Jato.

A direção do hospital ainda esclareceu que, no período analisado, Glaucos da Costamarques recebeu a visita do contador João Muniz Leite. Na ocasião, Glaucos teria assinado 12 recibos de aluguel do apartamento relativos a meses de 2014 e 2015. Roberto Teixeira disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro que teve um encontro com Costamarques no hospital, mas afirmou que a visita foi casual.

O caso

A propriedade do apartamento faz parte da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, que acusa o petista de receber propina da Odebrecht. Para os procuradores, Lula não pagou aluguéis pelo uso do imóvel, que teria sido adquirido com dinheiro da empreiteira.

O negócio foi fechado em nome do engenheiro e empresário Glaucos da Costamarques, em 2010. Os advogados do ex-presidente contestam a afirmação. Eles apresentaram 26 recibos para comprovar que o aluguel do imóvel foi negociado em uma relação privada.

O Ministério Público Federal argumenta que a defesa de Costamarques informou que os recibos referentes ao ano de 2015 foram assinados todos de uma só vez, no período em que o empresário esteve internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em dezembro daquele ano.

Segundo os procuradores, dados da quebra de sigilo bancário indicam não haver fluxo financeiro na conta de Costamarques que seja compatível com o recebimento dos valores de aluguel entre 2011 e 2015.

O Ministério Público pede ao juiz Sérgio Moro que sejam autorizadas perícias nos papéis e que seja determinado novo depoimento de Glaucos da Costamaques.

O apartamento em São Bernardo do Campo é um dos objetos da ação penal, que acusa o ex-presidente de ter sido beneficiado pela Odebrecht com o uso do imóvel e também com um terreno que seria destinado ao Instituto Lula.

Em nota, o advogado de Lula, Cristiano Zanin, afirma que a perícia nos recibos vai demonstrar que eles são verdadeiros.

A defesa sustenta que o questionamento do Ministério Público é uma “tática ilusionista” de quem não conseguiu comprovar que os valores provenientes de contratos da Petrobras beneficiaram o ex-presidente.