‘Intransigência de Dilma com corrupção culminou na sua queda’, diz Cardozo

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Justiça do Governo Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, disse nesta segunda-feira (13) de manhã em São Paulo, que caixa 2, corrupção e lavagem de dinheiro são “coisas diferentes” e que a postura intransigente da ex-presidente foi um dos fatores que determinou a sua queda.

O ex-ministro prestou depoimento por videoconferência ao juiz Sérgio Moro como testemunha de defesa de Antonio Palocci, que está preso desde setembro de 2016, quando foi deflagrada a 35ª fase da Lava Jato. O conteúdo do depoimento teve sigilo decretado, mas o Paraná Portal teve acesso minutos antes.

A defesa do ex-ministro Antônio Palocci, que é réu na ação penal, questionou Cardozo sobre o processamento das arrecadações das campanhas de 2010 e 2014 da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele disse que não participou da coordenação da campanha, mas que tinha ciência de uma orientação clara da presidenta Dilma Rousseff que era a de, na dúvida, se houvesse legalidade ou ilegalidade, jamais receber uma contribuição. “Ela chegava a dizer que na dúvida não se aceita a doação”, disse.

“Quando comecei a manter contato com a presidente Dilma Rousseff mais frequente, em 2010, ficou clara uma característica pessoal sua muito forte e que não tenho problema nenhum em afirma-la e atesta-la: ela é uma pessoa intransigente em relação a situações dessa natureza. Dilma Rousseff jamais permitiu qualquer situação que pudesse sair fora daquilo que eticamente se entende como correto”, declarou Cardozo.

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“Essa postura da [ex-]presidente Dilma Rousseff, eu acredito, que deu mais problemas e mais adversários do que reconhecimento das suas virtudes. Inclusive o próprio processo de impeachment, que foi desencadeado pelo [ex-]presidente Eduardo Cunha, eu vejo na intransigência de Dilma Rousseff em relação a questões dessa natureza, um dos fatores que determinou no futuro da sua própria queda”, declarou Cardozo.

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Sobre a atuação de Palocci nas campanhas, Cardozo afirma que o ex-ministro exercia papel de coordenador geral de atividades do governo. “Era uma pessoa que tinha uma vivência política. Tinha uma inserção política e experiência que o capacitava a assumir tarefas importantes nessa área. Ele acompanhava os eventos e a agenda da presidente”, disse.

Cardozo disse aos jornalistas em frente à Justiça Federal que o caixa dois é prática recorrente. “Nem sempre ela [a prática de caixa dois] agasalha a corrupção. As vezes ela é desenvolvida de maneira que o empresário doa esse dinheiro e você processa na caixa dois sem, muitas vezes, que se saiba a origem disso”, afirmou. A declaração de Cardozo foi dada à imprensa logo depois da audiência que teve sigilo decretado por Moro.

Sigilo

O sigilo foi pedido porque o depoimento de Cardozo também envolve ação da Procuradoria-Geral da República (PGR) relacionada às delações dos executivos da Odebrecht, que envolvem políticos com foro privilegiado. As delações ainda estão sob sigilo. O juiz Sérgio Moro decretou o sigilo temporário até que o Supremo Tribunal Federal levante o sigilo das delações