Jucá já tem data e hora para falar a Sérgio Moro

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O líder do governo Temer no Senado, Romero Jucá, prestará depoimento ao juiz federal Sérgio Moro no dia 22 de junho, via videoconferência, a partir da Justiça Federal de Brasília, como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em ação penal relativa à Operação Lava Jato. No processo em questão, Lula é acusado de receber vantagens indevidas da construtora Odebrecht, através da compra de um terreno onde seria instalada a nova sede do Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo, vizinho ao imóvel em que Lula mora.

Respeitando a prerrogativa de autoridades como ministros, senadores e deputados, o juiz Sérgio Moro oficiou o senador para que escolhesse entre três datas indicadas pelo juízo para o depoimento. Em resposta enviada nesta terça-feira à Justiça Federal do Paraná, Jucá indicou as 9h30 do dia 22 de junho para seu depoimento. Na mesma data, prestará depoimento a senadora Marta Suplicy (PMDB). Antes deles, no dia 13, serão ouvidos o senador Jorge Viana (PT) e o ministro do Tribunal de Contas da União José Múcio Monteiro. No dia 14, prestará depoimento o deputado federal Henrique Fontana (PT), todos responderam nesta terça-feira ao ofício de Moro.

Estancar a Sangria

Jucá também é alvo da Operação Lava Jato. Tramita contra ele inquérito no Supremo Tribunal Federal a partir de denúncia formulada pela Procuradoria Geral da República após a delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que apresentou gravações de conversas com senadores da República, inclusive Jucá, em que os políticos articulavam formas de obstruir as investigações. É do senador a famosa frase, “tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o que o fez cair do Ministério o Planejamento.

Jucá, Marta, Múcio, Fontana e Viana fazem parte do rol de 87 testemunhas indicadas pela defesa de Lula no processo em questão. Jucá chegou a ser arrolado por Lula em outra ação penal, a que envolve a denúncia de recebimento de vantagens da OAS, caso do apartamento tríplex no Guarujá, mas a defesa de Lula desistiu do depoimento dias antes da audiência.

A insistência da defesa em ouvir tantas testemunhas, repetindo algumas já ouvidas em processo anterior, inclusive as que desistiu na outra oportunidade, levaram o juiz Sérgio Moro a determinar o comparecimento do ex-presidente em todas as audiências, como resposta a uma possível manobra protelatória da defesa. O Tribunal Regional Federal da 4ª região, no entanto, acatou recurso de Lula e o poupou da presença em todos os depoimentos.