“Juiz não tem tempo a perder”, diz Moro em nova discussão com defesa de Lula

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O juiz federal Sergio Moro e o advogado de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, voltaram a discutir nesta quarta-feira (14), durante o depoimento do ex-diretor da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa no processo sobre a compra de um terreno, pela Odebrecht, para a construção de uma nova sede para o Instituto Lula.

O mal estar surgiu quando Moro questionou Zanin sobre a necessidade de refazer as perguntas a Luiz Fernando Corrêa sobre as melhorias nos mecanismos de combate à corrupção no tempo em que foi diretor da Polícia Federal, no segundo mandato de Lula.

Moro perguntou se Zanin tinha novas perguntas ou se eles estavam ali perdendo tempo. Zanin rebateu: “Vossa excelência acha sempre que tudo o que a defesa fala é uma perda de tempo.”

Até a procuradora do MPF, Isabel Cristina Groba Vieira, entrou na discussão, ao negar a afirmação de Zanin de que a mesma estratégia já teria sido usada pelo MP.

“O juiz não tem tempo para ficar perdendo”, concluiu Moro, que acabou pedindo desculpas para a testemunha pelo ocorrido.

Cerceamento de defesa

Ao final da audiência, em nota, o advogado voltou a afirmar que houve cerceamento de defesa.

“O cerceamento ao direito de defesa e o desrespeito à atuação dos advogados mais uma vez se fez presente hoje (14/06) em audiência na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, relativa à Ação Penal 5063130-17.2016.4.04.7000.

O juiz Sérgio Moro interrompeu o trabalho da defesa de Lula na oitiva do ex-diretor geral da Polícia Federal Luiz Fernando Correa, exatamente quando o depoente, na mesma linha dos ex-procuradores gerais da República Claudio Fontelles e Antonio Fernando Barros, também ouvidos hoje, discorria sobre o estímulo e condições materiais propiciados pelo então Presidente Lula no combate à corrupção e a lavagem de dinheiro”, diz o texto.

Procuradores

Também nesta quarta-feira, durante videoconferência com Brasília (DF), Moro ouviu o depoimento dos ex-procuradores-gerais da República, Antônio Fernando Barros e Silva de Souza e Cláudio Lemos Fonteles.

Fonteles atuou no cargo entre os anos de 2003 e 2005 e foi indicado pelo então presidente Lula e Souza foi responsável por apresentar ao Supremo Tribunal Federal a denúncia dos casos de corrupção do mensalão.

Arrolados como testemunhas de defesa de Lula, os ex-procuradores-gerais da República afirmaram que o ex-presidente não interferiu no trabalho da Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Nunca, em nenhum momento, houve qualquer pedido direto ou indiretamente sobre as atividades que eram da minha atribuição nem de outros colegas do Ministério Público”, afirmou Antônio Fernando Barros e Silva de Souza.

Deputado

O deputado federal Henrique Fontana (PT-PR) também tinha depoimento marcado, mas não compareceu e alegou que não havia recebido a confirmação da oitiva. O depoimento foi remarcado para 9h30 da próxima terça-feira (20).