Lula recebeu propina para influenciar Dilma em favor da Odebrecht, diz Palocci

dilma e lula

Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro na tarde desta quarta-feira, o ex-ministro Antônio Palocci, réu preso da Operação Lava Jato, disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu propinas da Odebrecht para influenciar a ex-presidente Dilma Rousseff a manter o bom relacionamento do governo com a empreiteira depois que Lula passou o cargo a sua sucessora. Segundo Palocci, a Odebrecht temia o governo Dilma, pro não ter um bom histórico de relacionamento com a ex-presidente no período em que ela foi ministra das Minas e Energia. Assim, Emílio Odebrecht teria oferecido a Lula um pacote de propinas para que o ex-presidente influenciasse sua sucessora a manter a boa relação.

“Nos governos Lula as relações da Odebrecht foram muito fluídas, na área de construção civil, infraestrutura e na Petrobras, em todos os aspectos. Tanto nos projetos, como com participação em campanhas. As participações em campanhas geralmente eram por doações oficiais, mas originários de contratos ilícitos. Nunca tive um valor estabelecido com o Marcelo, porque tudo o que eu pedia eles atendiam”, relatou Palocci. Em 2010 eles se mostraram muito tensos com a posse da presidente Dilma, que, quando ministra, liderou um embate muito forte com a Odebrecht naquele momento” relatou.

Segundo Palocci, nesse contexto, Emílio Odebrecht teria feito um “pacto de sangue” com Lula. “Ele foi ao Lula e levou um pacote de propinas a Lula, que tinha esse terreno para o instituto, o sítio para uso da família e também disse que o presidente teria a disposição dele, para fazer suas atividades políticas R$ 300 milhões. No dia seguinte, o presidente Lula me chamou no Palácio Alvorada, me contou, e me colocou em contato com o Marcelo Odebrecht. Para mim, foi aí que surgiu a planilha”, disse o depoente.

Palocci explicou que a partir da posse de Dilma, a Odebrecht queria estabelecer de forma clara a relação, “não mais no fio do bigode”, porque tinha medo de o comportamento da presidente Dilma ser evasivo em relação pleitos. “Levei ao Lula que era melhor não levar isso adiante, mas ele marcou uma reunião no dia 30 de dezembro de 2010 com o Emílio e levou a Dilma para dizer a ela das relações que ele tinha com a Odebrecht e que ele queria que essas relações fossem preservadas em todos os seus aspectos, lícitos e ilícitos”.

Regra da licitação de aeroportos foi alterada para beneficiar Odebrecht

Instado pelo juiz a dar um exemplo de como o governo Dilma agiu para beneficiar a Odebrecht, Palocci disse que a cláusula na licitação do Aeroporto do Galeão, que impedia que os vencedores das licitações anteriores do setor aéreo participassem do certame foi encomendada pela Odebrecht.

“A Odebrecht desejava muito, nas concessões de aeroportos, ter o aeroporto de Campinas, no processo que licitou, também, Guarulhos e Brasília. Ela perdeu e entrou com recurso contra o consórcio vencedor. Eles queriam que eu intercedesse pelo sucesso deste recurso, mas eu me recusei a fazer. Então, conversei com a presidente Dilma e garantimos a eles que seriam beneficiados numa próxima licitação”, disse Palocci, informando que, então, eles retiraram o recurso e foram beneficiados na licitação do Galeão. “Houve uma cláusula nessa licitação que impedia o vencedor de Guarulhos de participar. E isso foi colocado por solicitação da Odebrecht”, relatou.